Ginásios e outdoor

Uma história inspiradora: como Catarina perdeu 30 quilos depois da gravidez

Entre a filha e a pandemia, esta empresária de Massamá sentia-se irreconhecível. O treino e a disciplina mudaram completamente a sua vida.
Catarina Araújo tem 31 anos.

A história de Catarina Araújo é um bom exemplo de como as circunstâncias por vezes parecem tomar conta de nós. E é também um exemplo de como, com algumas mudanças e uma abordagem diferente, é possível voltarmos a tomar o controlo dadas nossas vidas. Aos 31 anos, a empresária que tem um supermercado seu em Massamá, conheceu no espaço de um ano, durante a gravidez, esses dois lados. As mudanças na sua vida e no mundo à sua volta levaram a que a, dada altura, sentisse que estava a atingir o tal limite. 

“Sou uma pessoa bastante ativa, ando sempre de um lado para o outro. Com o confinamento também tive de parar mas engordei 25 quilos durante a gravidez. Foi imenso”, recorda à NiT. Sabia o que queria fazer ainda antes de a filha nascer, mas a realidade nem sempre dá margem para as aspirações. Até porque 15 dias após a filha nascer, já estava de volta à sua loja.

Os primeiros dez quilos foram desaparecendo após a gravidez. Mas Catarina ainda estava longe da sua melhor forma. Sentia-o por ela e nos olhares dos outros. “Lembro-me de passados dois meses após ter tido a minha filha, estar com clientes e fornecedores a perguntarem-me quando é que ela ia nascer”, conta à NiT.

“Senti-me mal, obviamente. Ia trabalhar todos os dias, não tinha roupa que me tapasse completamente. Era duro. Além de na altura ainda me sentir fraca. Pegava em qualquer caixa e sentia o peso nas costas”. Catarina já conhecia o trabalho do PT Tiago Reis Silva, por isso, assim que o obstetra deu luz verde para treinar a sério, foi ter com ele.

A mudança na sua vida começou no final de 2020, mas entre o Natal, o Ano Novo e tudo o que esta altura tem de exigente para um negócio, foi só mesmo em 2021 que as coisas evoluíram. “Em janeiro, arrancou um programa novo de 28 dias, em que treinámos todos os dias”. Não demorou muito a sentir as mudanças, nos quilos que iam e na tal força que se recuperava.

Com a ajuda de um nutricionista, o PT partilhou um plano alimentar com Catarina que servia como uma espécie de referência orientadora. Eram pequenos ajustes para ir tendo em conta, como ir substituindo uma ou outra proteína ou ter maior atenção às quantidades.

Ao início, os tais 28 dias ainda pediam pouca intensidade. Isso aconteceu com a corrida e com a generalidade dos exercícios. O mais importante ali era o compromisso do treino diário. Ainda assim foram mais seis ou sete quilos que desapareceram. Acima de tudo, permitiu definir as bases para o que veio depois.

Plano de 28 dias foi decisivo.

À NiT, o PT explica que gosta de treinos funcionais. Não usa máquinas, optando por trabalhar o peso com halteres, kettlebell ou barra de CrossFit. A principal ferramenta é mesmo o peso do próprio corpo. Foi o que aconteceu com Catarina, em especial durante a fase de confinamento. Quando puderam finalmente voltar a trabalhar juntos ao ar livre, e mesmo tendo acompanhado tudo pelo ecrã do telemóvel, o próprio Tiago ficou surpreendido. “Uau, Catarina, parece outra pessoa”, recorda.

Nesta fase, Catarina mantém uma hora semanal de sessão de treino com o PT, mas tem mais três a quatro sessões para ir trabalhando durante a semana. O cliché é bem-vindo aqui: os resultados estão à vista.

As dificuldades de ser mãe

O peso nunca fora uma questão para a Catarina ao longo da sua vida. Durante alguns anos trabalhou como controller financeira numa empresa de desporto. Era uma rotina mais regular, que lhe permitia praticar desporto de manhã ou à hora de almoço. Havia margem para tudo. Quando apostou num negócio próprio, esta rotina sofreu um abalo.

“Nessa altura levantava-me às 7 horas e já não ia treinar, ia logo trabalhar”. Engordou um pouco mas depois veio o estranho ano de 2020, de pandemia para todos nós e que para a Catarina foi também de gravidez.

No ponto máximo, a balança chegou a bater os 94 quilos. Nesta altura já perdeu 30 quilos. “São cinco quilos a menos do que tinha antes da gravidez”, especifica, acrescentando que tem planos para perder mais cinco.

O trabalho com o PT foi algo que, para Catarina, fez diferença. “Achava que não precisava, que se fosse ao ginásio de três em três dias seria suficiente”. E acrescenta: “Falamos todos os dias. Se comer algo que não devo, ele lembra-me e sugere outra coisa qualquer. É um acompanhamento. E também é psicológico”.

O início do treino não foi fácil. Não era só o peso, era a falta de prática. “Mas depois o corpo vai-se habituando e de repente já é um prazer estar a fazer desporto e ter uma alimentação mais saudável.”

Catarina lembra que ser mãe, com toda a fase do pós-parto, é especialmente desafiante para as mulheres. Qualquer pai conhece a equação: tudo o que há de gratificante vem com o seu lado de exigência, no corpo, nas horas mal dormidas, no stress e adaptação à nova realidade.

“No meu caso, tive que trabalhar logo. E tem que haver este equilíbrio, entre a casa, o trabalho e a nossa vida”.

A mãe tem sido uma ajuda com a pequena Madalena, mas o marido merece palavras especiais, pelas horas de biberão divididas noite dentro mas também pela ajuda em encontrar o tal espaço e tempo necessários. Ao final do dia, havia sempre um momento em que Catarina não precisava de se preocupar com banhos, biberão ou tudo o mais. Era um período só para ela.

“Não sei se isto está provado cientificamente mas o nosso bem-estar de mães, o meu bem-estar, também se refletiu com a minha filha, que acabou por ser mais tranquila”, conta-nos. “Quando há este equilíbrio entre tudo, também sou mais tranquila quando estou com ela. E hoje já me faz noites inteiras”. Bebé descansada, mãe descansada. E vice-versa, aparentemente.

A pandemia não deixou de ser um desafio mas Catarina admite que toda aquela fase sem ajuntamentos, jantares e afins ajudou a que houvesse mais tempo para poder treinar sem descurar tanto das coisas em casa. Nesta fase, o desporto é já algo bem-vindo. E é curioso porque até há bem pouco tempo talvez a própria nem imaginasse algo assim. “Correr era terrível”, conta-nos sobre a nova descoberta.

Ainda na gravidez, houve os avisos e receios sobre estar a ganhar demasiado peso, as caminhadas que fez para tentar controlá-lo, o susto de a filha quase nascer antes do tempo. Foi um tempo em que Catarina evitava fotografias — algo que foi voltando com a Madalena a bem das memórias. “Eu tenho 1m74. E com o meu peso e a minha altura eu estava, bem, nem sei o que dizer”. Esse tempo já lá vai, nota-se na voz com que nos conta a sua história.

Quando perguntamos o que funcionou como motivação, Catarina admite que não é fácil precisar. “Encontrei motivação porque o meu marido me deu apoio, porque me sentia realmente mal, porque não conseguia vestir umas calças de que gostava imenso”. Sobre o PT: ”Cada treino é um treino diferente. Nunca fazemos a mesma coisa. E parece que ele consegue sempre que eu ultrapasse um pouco o que é o meu limite. Eu chego até ali e ele consegue sempre um bocadinho mais”.

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