Alimentação Saudável

Não come glúten nem lacticínios ou quer (só) perder peso? — este é o blogue para si

Ana Guerreiro é autora do "Mamã Paleo" onde a maioria das receitas descarta os produtos processados, o sal e o açúcar.
A Dieta Paleo promove a alimentação saudável.

Regimes alimentares não faltam: há quem não coma carne e peixe, há quem se alimente apenas de vegetais e há quem escolha eliminar os alimentos muito processados do prato. Seja qual for o tipo de dieta escolhida, todas têm um objetivo comum — tornar mais saudável quem as segue. Todas as formas de comer podem ser adaptadas aos objetivos de cada um, mas há uma dieta que promete ser a solução para quem quer fazer uma alimentação o mais natural possível. Mas quem a segue tem de conseguir deixar de comer a maioria das coisas a que estamos habituados.

Mamã Paleo, um blogue criado por uma psicóloga que ía partilhando as suas receitas com o telemóvel numa mão e o filho na outra, junta hoje uma comunidade de mais de 87 mil seguidores no Instagram.  As formas de confecionar o alimento que a autora escolhe não comer — o pão — são o segredo por trás do êxito que alcançou. 

Filha de pai alentejano e mãe algarvia,  o pão era uma daquelas coisas que não podia faltar em casa de Ana. Como a Dieta Paleo exclui o glúten,  foi um “adeus ao pão”.

“Na altura de amamentar sentia imensa vontade de comer pão, então comecei a criar receitas alternativas”, conta à NiT. Uma das receitas saiu bem, foi muito partilhada e tornou-se rapidamente um sucesso nas redes sociais, fazendo com que o Mamã Paleo se tornasse um dos blogues sobre alimentação saudável mais lidos.

Quando Ana Guerreiro decidiu mudar de vida, encontrou na dieta Paleo a solução para conseguir uma alimentação mais saudável e que lhe traria benefícios para a sua saúde e a do bebé durante a gestação. “Quando engravidei decidi começar a dieta Paleo. Apercebi-me de que aquilo ingeria também afetava o meu filho, não só durante a sua formação no útero, mas que também teria consequências no futuro”, explica.

A gravidez e os primeiros dois ou três anos de vida têm um enorme impacto ao longo de toda a vida. Os nossos gostos são influenciados por aquilo que a nossa mãe comeu durante a gestação porque vamos sentindo os sabores no líquido amniótico e até através do leite materno. “Mesmo a nível de desenvolvimento hormonal, o que consumimos faz diferença, portanto comecei a ter uma maior preocupação com o que andava a comer”, explica.

Ana pesquisou bastante sobre a melhor dieta a seguir para proporcionar ao filho a melhor alimentação possível: “Fui  obesa durante grande parte da minha vida e tinha vários problemas de saúde: não era isso que queria para o meu filho”.”

A psicóloga conta que andava sempre a fazer dietas para emagrecer sem conseguir os resultados pretendidos. Após iniciar a dieta Paleo notou de que estava menos inchada, tinha menos dores e começou a perder peso: “Não foi propositado, mas quando deixamos de comer uma série de alimentos inflamatórios, o corpo acaba por melhorar.”

Quando deixou de amamentar o filho, decidiu fazer algumas alterações à dieta Paleo. Passou a fazer uma dieta mais low carb (regime alimentar em que a ingestão de hidratos de carbono simples é muito reduzida) e acabou por perder ainda mais peso. Quando o filho nasceu pesava 83 quilos. Não percorreu este caminho sozinha.

A psicóloga criou o blogue “Mamã Paleo” há cinco anos porque sempre gostou imenso de cozinhar. Na altura tudo era novidade: desde os ingredientes da dieta Paleo às próprias receitas, e num instante começou a dar asas à imaginação. “Durante um ano ou dois e ninguém sabia quem era a Mamã Paleo, porque nem tinha colocado a minha fotografia no perfil do blogue”, conta. 

Ana Guerreiro tenta sempre encontrar alternativas simples e mais saudáveis às receitas do dia a dia — o principal segredo do sucesso por trás da sua conta de Instagram e do seu blogue.  “As receitas não tinham um aspeto excelente, mas as pessoas acabavam por gostar porque sabiam que era assim que ia ficar, caso fizessem a receita em casa. Fazia receitas muito simples: juntava tudo numa taça, triturava e colocava no forno ou na frigideira.”

Quando uma receita inclui alimentos com mais hidratos ou açúcar, Ana compensa acrescentando ingredientes com mais fibra. Noutros casos, as escolhas que faz têm menos a ver com a questão nutricional e mais com a carteira. “Sei que é complicado usar farinha de amêndoa, por exemplo, porque é mais dispendiosa. Às vezes, substituo-a por aveia ou arroz, que não estão dentro da dieta Paleo, mas que acabam sempre por ser uma opção mais interessante do que comprar os biscoitos no supermercado”, explica a Mamã Paleo.

Mas porque é que mantinha o anonimato? “As minhas mudanças na alimentação faziam muita confusão aos meus amigos e família. Ninguém percebia muito bem e só quando começaram a ver resultados físicos é que começaram a dar mais crédito ao que eu estava a tentar fazer”, confessa.

Ana diz que, por vezes, o entrave a fazer uma alimentação saudável pode passar pela falta de tempo: “As pessoas pensam que as receitas demoram muito, mas com o meu blogue acabaram por perceber que são rápidas e fácéis.”

O consumo de leite, um assunto controverso na dieta Paleo, é excluído pela psicóloga: “A Paleo mais restrita não inclui laticínios. Em Portugal, a maior parte dos seguidores desta forma de comer consome-os. Achei que não fazia sentido fazê-lo. O leite que as mães produzem é adaptado ao bebé, para que cresça e se desenvolva de forma correta. Já o leite da vaca está adaptado aos bezerros”, explica Ana Guerreiro.

O blogue “Mamã Paleo” acaba então por não ser só para quem segue a dieta Paleo — também seguido por muitos celíacos, intolerantes à lactose, pessoas que querem perder peso ou com outras doenças autoimunes. “Não é um blogue Paleo porque acaba por abranger muitas outras pessoas”, diz Ana.

Se é fã de receitas low carb, sem glúten e sem laticínios, carregue na galeria e descubra cinco sugestões de sobremesas saborosas e simples de preparar.

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