Saúde

Médico alerta: gripe vai voltar este ano e pode provocar uma sobrecarga nos hospitais

Ainda é uma incógnita como será o próximo inverno com o fim das restrições, mas há o risco de haver situações complicadas.
A gripe e a Covid-19 irão coincidir.

Antes da pandemia, o País habituou-se a ter momentos no inverno em que a gripe voltava a causar maior pressão sobre os serviços de saúde. Com a Covid-19, esse cenário mudou em 2020. Mas é possível que em 2021 voltemos a ter desafios semelhantes aos do passado.

Uma coisa parece certa: “a gripe vai voltar este ano a ser uma parte importante do inverno”, diz à NiT o médico Gustavo Tato Borges, presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP).

A pandemia trouxe períodos de confinamento mas acima de tudo trouxe uma série de novos hábitos, como o distanciamento social, o uso de máscara e o evitar aglomerações, que ajudaram a limitar o impacto da pandemia. Todas estas medidas e cuidados, embora pensadas em função da Covid-19, têm o mesmo efeito prático num vírus mais comum como o da gripe.

“O que se acredita é que, com o fim das medidas restritivas da Covid-19, o fim do uso de máscara obrigatório nas ruas, a gripe vai voltar este ano a ser uma parte importante do inverno. Se não houver adesão das pessoas para a utilização das máscaras, para os cuidados diários de evitar alguns aglomerados, provavelmente iremos ter um inverno um pouco complicado, com alguns casos de Covid-19 e alguns casos de gripe, que este ano vai voltar a aparecer”, destaca.

Questionado sobre se este regresso da gripe poderá ser em força, com maior impacto do que aquilo a que nos habituámos em invernos mais recentes, Gustavo Tato Borges salienta que a dúvida no ar mantém-se.

“Não tenho a certeza”, diz-nos. “Vai depender muito de como as pessoas vão usar a máscara, mas tanto podemos ter um inverno normal de gripe, se não houver cuidados, e aí vamos ter alguma sobrecarga do serviço nacional de saúde. Como podemos ter um inverno mais tranquilo porque as pessoas continuam a manter os seus comportamentos cívicos e cuidados.”

Há uma dúvida que tem sido levantada: será que a nossa proteção imunitária é menor agora com este regresso, comparando com outros invernos pré-pandemia? “Isso é sempre discutível e creio que poderá não ser assim tão significativo. O vírus [da gripe] vai voltar a circular. Se continuarmos a usar a máscara estaremos mais protegidos, os nossos idosos e mais vulneráveis vão voltar a ser vacinados, como tem acontecido nos outros anos de forma regular e consistente.”

O médico acrescenta ainda que não pensa que a falta de contacto com o vírus por causa de máscaras e distanciamentos nos faça ter um inverno pior com a gripe. “Penso que será mais a maneira de como nos vamos comportar, mais do que o vírus da gripe em si. É possível que a gripe até tenha uma expressão bastante baixa”.

Além dos cuidados com máscaras, algo que a pandemia reforçou foi o cuidado de não comprometer os outros. Antes da Covid-19 era mais comum que alguém com sintomas de gripe optasse por arriscar ir ao trabalho ou à escola. Será que isto mudou?

“Vai continuar a haver de tudo, há pessoas que vão continuar a arriscar, mas é possível que com a evolução da pandemia a nossa população esteja um pouco mais habituada a estas situações e seja mais cuidadosa com aquilo que são as suas responsabilidades individuais, que depois vertem para o impacto coletivo na saúde da sua comunidade”, responde-nos.

Já relativamente ao processo de vacinação da gripe, Gustavo Tato Borges não espera grandes mudanças. “Seria bom, que quanto mais pessoas tivermos vacinadas contra a gripe, melhor”. O expectável, no entanto, é que a vacina da gripe se mantenha concentrada nos chamados grupos de risco, que incluem a população mais idosa.

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