Esta quarta-feira, dia 1 de outubro, em Óbidos, deu-se a apresentação oficial daquela que será a primeira Surf Village em Portugal, um projeto pioneiro da Surfers Cove que promete ser um marco no turismo e no surf a nível nacional e europeu. Será a primeira piscina de ondas com a tecnologia Wavegarden da União Europeia e a 13.ª no mundo, com inauguração prevista para o final de 2026.
Este evento, realizado no local da obra, perto do Royal Óbidos Scenic Resort, perante dezenas de convidados, com moderação de Mafalda Anjos, teve como oradores os responsáveis pelo projeto e alguns dos investidores, como o surfista Kanoa Igarashi (atual n.º 7 no ranking mundial) e Hélio Branco, CMO da Despomar. Subiram também ao púlpito Filipe Daniel, presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo, Gonçalo Saldanha, presidente da Federação Portuguesa de Surf, e Pedro Dias, Secretário de Estado do Desporto, que encerrou a sessão.
Como já tinha sido revelado em julho, este complexo turístico e desportivo de cinco hectares, terá como grande destaque uma piscina com 1,3 hectares, equipada com a tecnologia Wavegarden Cove, composta por 46 módulos e capaz de gerar até 1000 ondas por hora. No total, oferece mais de 25 tipos de ondas, que variam entre longas e suaves, ideais para quem está a começar, e outras mais exigentes, pensadas para manobras técnicas, aéreos e tubos.

Nesta apresentação oficial do projeto, cujas obras iniciaram-se este ano, Manuel Maria Vasconcelos, cofundador e CEO da Surfers Cove, afirmou que “o Surf Village pretende ser a experiência de surf número um em Portugal, criando um destino que combina tecnologia, natureza e hospitalidade, acessível a todos”.
E acrescenta: “Foi pensado como um espaço inclusivo que complementa o oceano, garante ondas consistentes para todos os níveis de surfistas graças à tecnologia Wavegarden Cove ao mesmo tempo que proporciona uma experiência completa através do aldeamento turístico.”
Refira-se que, além da enorme piscina de ondas, o parque irá integrar um aldeamento turístico de 4 estrelas, com capacidade máxima para 144 camas, distribuídas por 56 bungalows pré-fabricados. O empreendimento contará ainda com restaurante, loja da franquia 58 Surf, skate parks, campos de padel e ténis, ginásio, uma escola de surf, espaços verdes para lazer e eventos corporativos, criando um verdadeiro destino de lazer e bem-estar para famílias, turistas e atletas. Tudo isto, representa um investimento global superior a 25 milhões de euros, fruto de capital privado e de fundos comunitários.

Outro dos oradores foi Marcelo Martins, Surf Operations Manager da Surfers Cove, que colocou com a acessibilidade e inclusão como um dos fatores fundamentais do projeto. “Oferecemos um mar artificial com as condições que quisermos e acessível a toda a gente. Será um espaço para famílias, que trazem crianças que poderão ter a primeira experiência de surf num ambiente seguro e controlado, o que nem sempre é possível. Isto levará certamente ao surgimento de jovens talentos e novos praticantes da modalidade.”
Espera-se que este parque ofereça também maior consistência no planeamento de treinos para atletas de alta competição, pois aqui será possível surfar durante todo o ano. Kanoa Igarashi, medalha de prata em surf nos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020 e um dos investidores do projeto, contou a sua experiência em piscinas com tecnologia Wavegarden: “Já cheguei surfar cerca de 100 ondas num dia numa piscina destas. No mar talvez o conseguisse numa semana. Proporcionam um treino mais completo, com maior variedade de ondas e em que acabamos por ter mais tempo para aprimorar a nossa técnica.”
Gonçalo Saldanha, como líder do organismo máximo do surf em Portugal, referiu a enorme oportunidade que a Surf Village constitui para a captação de talentos e planeamento de treinos: “As equipas poderão observar jovens talentos e planear treinos como nunca foi possível, sem estar dependente de condições climatéricas e com maior criatividade nos exercícios”.

A piscina de Óbidos terá um formato que será único no mundo: “Será uma das primeiras instalações comerciais do mundo a integrar os nossos side shores designs, semelhantes às margens do oceano, para um desempenho e estética aprimorados, oferecendo uma experiência que se aproxima da sensação de surfar no oceano”, explica Josema Odriozola, diretor-geral e fundador da Wavegarden.
Pedro Dias, em representação do Governo, falou sobre o papel deste projeto no reforço de Portugal, em especial da região Oeste, como um destino de eleição para a prática do surf. Aponta que é um exemplo de boa aplicação dos fundos europeus, no âmbito do programa Compete 2030. “Portugal mostra assim que é um polo europeu de inovação e transformação, capaz de receber surfistas durante todo o ano, combatendo a sazonalidade, trazendo maior diversidade na oferta de infraestruturas. Demonstra como os fundos europeus estão a ser bem aplicados, em projetos com valor económico e de criação de emprego”, afirma.
Entre os vários convidados da conferência, António José Correia foi um dos de maior renome. O ex-autarca de Peniche, eleito pelo PCP, entre 2005 e 2017, conhecido pelo seu trabalho no desenvolvimento do surf na região, acredita que este projeto tem tudo para ser um sucesso.
“Quando estava na câmara de Peniche, ofereceram-nos um projeto para construir uma piscina de ondas, mas a tecnologia ainda não estava tão maturada. Não era da Wavegarden e não nos souberam responder a questões como a sustentabilidade económica e financeira. Quanto a este projeto, face à capacidade tecnológica da Wavegarden, que está bem consolidada, e aos parceiros de indústria que investiram aqui, não tenho dúvidas de que é um projeto com grande futuro”, enaltece o ex-autarca.

Quanto à questão da sustentabilidade ambiental do projeto, Manuel Maria Vasconcelos explica que este terá um impacto muito reduzido: “Nos telhados dos bungalows serão instalados painéis solares que irão fornecer a energia para o complexo funcionar. Os próprios alicerces das habitações assentam no chão de forma a não alterar a tipologia do solo. Além disso, apenas 20% da estrutura da piscina possui betão. Aliás, tencionamos que este projeto seja promotor de um estilo de vida saudável, que faz parte do modo de vida dos surfistas”.
Em relação a preços, Marcelo Martins revela que “o bilhete para acesso à piscina rondará os 65€“, contudo, os valores vão variar consoante a época do ano e o tipo de sessão escolhida pelo praticante. No verão, uma sessão com um grau de dificuldade rondará os 120€, já no inverno, essa mesma sessão poderá custar 45€”.
Carregue na galeria para ver imagens da apresentação da Surfers Cove, em Óbidos.

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