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3 em cada 10 portuguesas adiaram a gravidez por causa da pandemia

A Merck realizou um inquérito sobre as perceções de saúde dos cidadãos portugueses e europeus. A NiT revela as principais conclusões.

No final de 2019 chegavam as primeiras notícias sobre a Covid 19. Para os portugueses parecia algo distante e nada que nos fosse afetar diretamente. Afinal, a China está a mais de nove mil quilómetros de linha aérea de Portugal. E assim, leves, entrámos em 2020 cheios de planos e desejos, com um número redondo pela frente. Porém, como sabemos, não foi nada disso que aconteceu. A pandemia chegou a todo o mundo e em março de 2020 Portugal estava confinado.

A Merk quis saber como se sentem os cidadãos europeus no que diz respeito à sua saúde física e mental. “Todos comentam que esta pandemia teve como consequências uma grande crise a nível da saúde, social e económico, por isso mesmo, na Merck quisemos saber, através dos números reais e representativos, o seu verdadeiro impacto junto dos portugueses e europeus. Acreditamos que só questionando as pessoas sobre o que elas sentem, pensam e precisam conseguiremos ajudar com respostas. Uma sociedade saudável é a base para a construção de uma sociedade mais forte, segura e que cria valor”, explica Pedro Moura, diretor-geral da Merk.

As conclusões do estudo foram previsíveis e surpreendentes ao mesmo tempo. Três em cada dez mulheres portuguesas adiaram a maternidade, o stress e a ansiedade foram sentimentos que afetaram quase metade dos inquiridos nacionais e os problemas psicológicos afetaram mais os portugueses do que os restantes europeus. O medo e a incerteza foram os sentimentos que afetaram mais de um terço das pessoas em Portugal. Ainda de acordo com o estudo, 76% dos inquiridos defendem ser necessário mais investimento em medicina preventiva e de saúde pública, um valor bem acima da média europeia (56%), seguido por uma maior aposta na saúde mental (57% vs 41% da média europeia) e cuidados de saúde primários (49% vs 43%).

Ainda assim, há um lado positivo que os portugueses reconhecem como consequência da pandemia. Quase metade dos portugueses viram a sua solidariedade (44%) melhorar, um valor acima da média europeia (33%). Quanto à sua resiliência, também aumentou, pelo menos para 40% dos inquiridos (contra 22% da média europeia).

O estudo “Merck survey: Europeans’ perception of health two years after the start of Covid 19” foi realizado junto de pessoas com idades compreendidas entre os 18 e 65 anos, em dez países europeus (Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Polónia,Portugal, Reino Unido, República Checa e Suíça), através de uma abordagem CAWI (entrevistas realizadas através da Internet). A amostra nacional foi de 600 pessoas e as entrevistas decorreram entre 31 de agosto a 8 de setembro de  2021.

A NiT falou com Pedro Moura para perceber mais a fundo o que realmente significam as conclusões deste estudo.

Que dado foi considerado mais surpreendente em Portugal, quando comparado com resultados da Europa? O que destaca?
O dado que destacamos é relativo aos planos de parentalidade, ou seja, este inquérito realizado junto de seis mil pessoas em dez países, 10% dos quais cidadãos portugueses, mostra que quase três em cada dez mulheres portuguesas (29%) com menos de 44 anos de idade admitem ter adiado os seus planos de parentalidade por causa da pandemia. E mostra também que apenas 22% da população portuguesa considerou realizar mais tratamentos de fertilidade nesse mesmo período. Estes são dados que mostram o impacto destes muitos meses em que vivemos com a companhia da Covid-19 na fertilidade e que nos devem preocupar.

Na sua opinião, qual a principal razão para que tantas mulheres tenham adiado o projeto da parentalidade em tempo de pandemia?
Em 2020, durante o primeiro confinamento, muitos dos centros que realizavam tratamentos de fertilidade foram obrigados a encerrar, o que acabou por adiar, para muitos casais, o sonho de ter um filho. Não só este facto, mas o receio, sobretudo do desconhecido, uma vez que ainda não sabíamos bem com o que estávamos a lidar, levou muitas pessoas a decidir esperar e penso que estes dados traduzem esta realidade. No entanto, a segurança destes tratamentos está garantida. A Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução já o reforçou várias vezes, confirmando a sua segurança, estando os centros de procriação medicamente assistida a funcionar de acordo com todas as normas de segurança e recomendações em vigor. Aliás, a própria Merck, em setembro do ano passado, lançou uma campanha em que enfatizava isso mesmo, alertando para a importância de não adiar o projeto de ter uma família e encorajando o sonho de gerar uma nova vida. De resto, essa é uma das missões da companhia. Somos especialistas em fertilidade e, ao longo de mais de 20 anos, as nossas opções de tratamento já permitiram o nascimento de mais de quatro milhões de bebés em todo o mundo.

Ficou surpreendido pelo facto de os portugueses terem sido afetados pelo stress e ansiedade?
Não, de todo. Todos nós fomos, de alguma forma, afetados pelo stress e sofremos de alguma ansiedade associada à pandemia. De facto, as nossas vidas mudaram e uma mudança desta natureza pode ser sempre considerada de alguma forma, disruptiva, e ainda mais quando acontece da forma como  esta aconteceu. Porque inesperada, com enorme falta de conhecimento sobre o que aí vinha e dessa forma potenciadora de ansiedade e desconforto.. Aquilo que é importante é conhecer esta realidade, perceber de que forma a Covid-19 teve impacto nas nossas vidas, para que possamos implementar medidas que ajudem a minimizar as consequências desse impacto. E daí a importância deste estudo realizado pela Merck: só conhecendo a realidade é que podemos agir sobre ela. Não só na nossa organização,  mas também no seio das nossas famílias e em sociedade.

De acordo com o estudo, 76% dos inquiridos defendem ser necessário mais investimento em medicina preventiva e de saúde pública, um valor bem acima da média europeia (56%).
É consensual a expressão ‘a prevenção é sempre o melhor remédio’ e tal  não é por acaso. A prevenção é essencial e a Merck tem trabalhado muito nesse sentido nomeadamente  ao desenvolver campanhas de sensibilização para doenças oncológicas, como o cancro da cabeça e pescoço ou o cancro do pulmão; para as disfunções da tiroide, que têm um impacto enorme e que  afetam muitas pessoas e que, por isso mesmo, precisam de ser ainda mais conhecidas; para doenças como a esclerose múltipla ou a diabetes, sem esquecer obviamente a infertilidade. Somos “As One for Patients” e isso significa que estamos ao lado das pessoas no tratamento das suas doenças, mas também quando é ainda possível fazer alguma coisa evitando o aparecimento da patoloia.. Porque a aposta na prevenção é sempre uma aposta ganha.

Quais os esforços da Merck para atenuar os impactos da pandemia?
A Merck tem trabalho, desde o início, na luta contra a pandemia, um trabalho que se tem desenvolvido em várias frentes. Ao nível da investigação, com as nossas equipas de investigadores a trabalharem, de forma incansável, para identificarem opções de diagnóstico e tratamento para esta nova doença, isoladas e em conjunto com várias organizações, como a Organização Mundial da Saúde ou o INSERM, Instituto Nacional da Saúde e Pesquisa Médica, em França. Temos uma parceria com o The Jenner Institute, com quem criámos uma plataforma que permite o fabrico em larga escala de um candidato a vacina contra o novo coronavírus.E estabelecemos igualmente uma parceria com a Fundação Bill and Melinda Gates, com vista a acelerar o desenvolvimento, fabrico e entrega de vacinas, diagnósticos e tratamentos para a COVID-19. Temos um trabalho conjunto com a BioNTech, a quem fornecemos lipídeos usados para a produção da vacina Pfizer-BioNTech Covid-19 (BNT162b2), que são essenciais para o sistema de fornecimento das terapêuticas de mRNA , para que uma vacina seja eficaz. Temos feito também, a nível local, algumas doações, para ajudar os que estão na linha da frente da batalha e este é um trabalho que está longe do fim.

Em que medida este estudo da Merck pode influenciar a aposta na saúde dos portugueses?
Como já referi, é essencial conhecer a realidade para se poder atuar sobre esta de forma eficaz. E de nada vale implementar medidas se estas depois não tiverem um impacto real nas vidas das pessoas, algo que apenas se consegue se soubermos o que se passa. Este trabalho confirma o que já sabíamos, que a pandemia teve como consequências uma grande crise a nível da saúde, social e económico. Mas mais do que isso, quantifica essa crise, através de dados reais e representativos. Sabemos agora que é necessário aumentar a ação ao nível da fertilidade —diz-se que este pode vir a ser o ano com menos nascimentos deste século —, que é necessário reforçar as medidas ao nível da saúde mental, que é preciso investir mais na prevenção. Porque uma sociedade saudável é a base para a construção de uma sociedade mais forte, segura e que cria valor. E a Merck  está e estará aqui dizendo presente e contribuindo de forma tangível para este desiderato.

Este artigo foi escrito em parceria com a Merck.

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