Saúde

2 milhões de portugueses têm enxaqueca — e 700 mil apresentam o tipo mais grave

Um estudo feito com 143 portugueses revelou que metade dos que estão empregados faltou em média 3,8 dias ao trabalho por causa das fortes dores de cabeça.

Enxaqueca, quem tem sabe o quanto dói. Pelo menos uma vez na vida, já deve ter sentido dor de cabeça. Entretanto, esse incómodo é bem diferente das temidas enxaquecas. A dor é debilitante e dá vontade de trancar-se num quarto escuro até passar.

Segundo estimativa da Sociedade Portuguesa de Cefaleias, dois milhões de portugueses sofrem de enxaquecas e cerca de 700 mil apresentam a forma grave, com mais de quatro crises por mês. O número de doentes é baseado numa tese de doutoramento feita em 1995, pois é o único estudo com dados do País sobre o tema.

A enxaqueca é uma doença neurológica. As pessoas que sofrem com ela têm estímulos elétricos mais intensos no cérebro. Tudo é processado de forma mais intensa: os sentimentos, as emoções, a dor e os estímulos externos, como o barulho, o som e a luz. Os principais gatilhos da dor são: stresse, menstruação (mudança hormonal), privação de sono, jejum prolongado e mudança climática.

Uma reportagem do jornal Público revelou os resultados portugueses do estudo mundial “My Migraine Voice”, que avaliou a carga de enxaqueca do ponto de vista do doente. O estudo mundial inclui dados de mais de 11 mil pacientes, com 18 ou mais anos, e é financiado pelo laboratório farmacêutico Novartis.

Em Portugal, 143 doentes foram seleccionados através de um painel online. De acordo com os resultados, 80% da amostra disse ter a vida profissional impactada pelo problema. Metade dos inquiridos que estão empregados já faltou ao trabalho em média 3,8 dias no último mês.

Além disso, 95% dos participantes da pesquisa relataram dificuldades em dormir e revelaram que durante uma crise precisam ter períodos prolongados no escuro ou isolados. Apesar da amostra da população não ser representativa, os responsáveis pelo estudo defendem que é possível concluir que as enxaquecas têm um forte impacto na vida emocional e social dos doentes. Mais da metade das pessoas (54%) se sente incompreendido por parte dos outros e 79% dos inquiridos confessaram sentir-se limitados para cumprir tarefas básicas do dia a dia, quando estão no meio de uma crise.

Forte dor de cabeça, náusea e vómito são alguns dos sintomas da enxaqueca. Quem sofre da doença não cansa de procurar alternativas para esse mal que parece não ter fim. Em setembro de 2017, a NiT mostrou uma nova cirurgia, realizada no Porto, para acabar de vez com as enxaquecas. A intervenção foi feita a uma mulher que há 25 anos tinha dores de cabeça permanentes e que não passava dois meses sem tomar analgésicos. 

Há vários medicamentos para prevenir uma crise de enxaqueca. Alguns funcionam para outras doenças como epilepsia, depressão e doenças cardiovasculares. Mas a mudança no estilo de vida é fundamental para impedir que as dores sejam frequentes. Evitar altas doses de cafeína, ter uma dieta equilibrada, fazer exercício físico e dormir bem são alguns exemplos do que se deve adotar na rotina.

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