Saúde

A Covid-19 agravou o “sofrimento enorme” provocado por problemas de saúde mental

Segundo a Organização Mundial da Saúde, as taxas de depressão e de ansiedade aumentaram 25 por cento no primeiro ano de pandemia.
Fotografia: Anthony Tran no Unsplash.

Em conferência de imprensa realizada na quinta-feira, 16 de junho, a Organização Mundial da Saúde apelou a todos os países que reforcem o investimento na saúde mental, afirmando que o “sofrimento é enorme”.

O pedido deve-se às conclusões preocupantes alcançadas com aquele que é o seu estudo mais completo, realizado em 20 anos, sobre o estado da saúde mental a nível global.

Segundo o relatório da agência das Nações Unidas, citado pela “Lusa”, já antes da pandemia, cerca de mil milhões de pessoas viviam com uma perturbação mental. A situação agravou-se logo no primeiro ano da mesma, com as taxas de depressão e de ansiedade a aumentarem em 25 por cento.

O investimento, contudo, não acompanhou este crescimento. O documento indica que apenas 2 por cento dos orçamentos nacionais da saúde e menos de 1 por cento da ajuda total internacional à saúde são atribuídos à área em análise.

“Todos os números são muito, muito baixos”, declarou Mark Van Ommeren, membro da unidade de saúde mental da entidade. Sublinhou ainda que a pesquisa demonstra a que ponto “o sofrimento é enorme” em todo o mundo, com uma em cada oito pessoas a viver com uma perturbação mental.

O cenário é mais negro nas zonas de conflito. Nestas, calcula-se que um em cada cinco indivíduos tenha um problema de saúde mental.

Van Ommeren revelou também que os jovens, as mulheres e as pessoas que já sofriam de doenças de saúde mental foram as mais afetadas pela Covid-19 e as medidas restritivas que esta desencadeou.

Outro dado preocupante relaciona-se com as desigualdades entre países no que ao acesso aos cuidados de saúde mental diz respeito. Por exemplo, enquanto nos países de rendimento elevado mais de 70 por cento das pessoas que sofrem de psicose recebem tratamento, nos países com fraco rendimento a percentagem cai para 12 por cento.

O relatório apela, igualmente, ao fim da estigmatização relacionada com o tema, realçando que 20 países ainda criminalizam a tentativa de suicídio. O responsável lembrou que se uma em cada 20 tentativas de suicídio resulta na morte, este representa mais de uma morte em cada 100 no mundo.

Leia acerca do novo estudo sobre o contributo de ouvir música, tocar e cantar para a melhoria da saúde mental.

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