Saúde

A enxaqueca afeta mais de 2 milhões de portugueses. Em setembro, há rastreios gratuitos

Apesar de terem os sintomas, muitos não procuram diagnóstico. As crises podem ser incapacitantes.

Há dores de cabeça que passam ao final de algumas horas. Outras obrigam a parar tudo. Para quem sofre de enxaquecas, uma crise pode significar ficar sem conseguir trabalhar, estudar ou cumprir as tarefas básicas do dia a dia.

Segundo um estudo da Universidade de Lancaster, em Portugal a doença afeta 24 por cento das mulheres e 13 por cento dos homens e pode transformar-se numa verdadeira prisão. É para chamar a atenção para este problema que a MiGRA Portugal — Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Cefaleias e da AbbVie, lançou a campanha “A enxaqueca é uma prisão”, que inclui rastreios gratuitos em cinco cidades este mês.

A primeira paragem será no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, a 11 de setembro, entre as 10 e as 19 horas. No dia seguinte, os rastreios chegam ao Coimbra Shopping, entre as 10 e as 19 horas, e à Estação de Metro da Trindade, no Porto, entre as 15 e as 19 horas.

A 13 de setembro, a iniciativa passa pelo Centro Comercial Continente Portimão, entre as 15 e as 19 horas. Em Tomar, estará integrada no Festival da Saúde, a 18 de setembro, entre as 16 e as 20h30, e a 19 de setembro, entre as 10 e as 12 horas e as 14 e as 17 horas. O objetivo é identificar pessoas com possíveis sintomas, promover o diagnóstico e encaminhar os casos para acompanhamento médico. 

A enxaqueca é uma doença neurológica crónica que vai além da dor de cabeça. As crises podem provocar dor moderada a forte, pulsátil ou latejante, acompanhada por sintomas como náuseas, vómitos e sensibilidade à luz, ao ruído e aos cheiros. Segundo um estudo da Aliança Europeia para a Enxaqueca e Cefaleias, 92 por cento das mulheres portuguesas com a patologia afirmam que as dores limitaram a sua capacidade de trabalhar, estudar ou realizar atividades durante pelo menos um dia. Estima-se que a doença afete cerca de dois milhões de portugueses.

Apesar do impacto que pode ter na vida pessoal e profissional, muitos doentes continuam sem diagnóstico ou acompanhamento médico. O estudo “Enxaqueca nas Mulheres — O Padrão Hormonal Invisível”, da MiGRA, revela que 42 por cento das mulheres com sintomas compatíveis com a doença nunca receberam um diagnóstico médico. Entre as mulheres que têm a doença, 33,6 por cento nunca consultaram um médico e 72,4 por cento recorrem à automedicação.

“Estes números confirmam que as enxaquecas continuam a ser subvalorizadas e o acesso ao tratamento adequado continua a ser um desafio para muitas pessoas no nosso país”, afirma Isabel Pireza, presidente da Mesa da Assembleia Geral da MiGRA Portugal. A responsável defende que é necessário “encurtar a distância entre o diagnóstico e o tratamento eficaz, para que ninguém tenha de viver ‘preso’ a esta doença”.

Filipe Palavra, presidente da Sociedade Portuguesa de Cefaleias, lembra que a doença pode ter consequências na vida familiar, social, escolar e profissional. “Reconhecer os sinais e chegar a um diagnóstico correto é essencial para quebrar este ciclo de sofrimento, permitindo que cada pessoa tenha acesso ao acompanhamento e tratamento mais adequados e possa recuperar qualidade de vida”, explica.

Leia o artigo da NiT para conhecer como o botox pode ser a arma secreta no combate às enxaquecas.

Ouça o áudio deste artigo

ARTIGOS RECOMENDADOS