Saúde

A luta contra o peso levou-a ao fundo. Levantou-se aos 64 e hoje é fisioculturista

Um distúrbio alimentar atirou Marlene Flowers para uma cama de hospital aos 58 anos. Quando saiu decidiu mudar de vida.
Já ganhou cinco troféus em competições.

Marlene Flowers tem 67 anos e já ganhou cinco prémios em campeonatos de fisioculturismo. Pode parecer muito, mas se soubermos que apenas começou a sua carreira há três anos, e que antes dos 58 não praticava nenhum tipo de desporto, este feito torna-se ainda mais notável.

É a dona de uma oficina mecânica em Pittsburgh, na Pensilvânia, tem dois filhos, casou-se duas vezes e acabou por se divorciar de ambos os maridos. Quando era miúda chegou a fazer natação, mas desde muito cedo que desenvolveu uma relação bastante complicada com o seu corpo — tendo tido vários complexos e inseguranças que a acompanharam ao longo da vida.

“A verdade é que estas circunstâncias afetaram a minha autoestima e acabei com um transtorno alimentar que durou muito tempo. Piorava a olhos vistos e, aos 58 anos, acabei hospitalizada por problemas relacionados com a minha perda de peso. Esse foi o meu grande alerta”, contou ao “The Guardian”.

Quando recebeu alta e regressou a casa, Ryan, o filho mais novo, ajudou-a a perceber que tinha de alterar o seu estilo de vida. Incentivou-a a cuidar do corpo, a fazer exercício e a ter uma relação saudável com a comida. Aos poucos, tornou-se cada vez mais ativa. Na sua sala via vários vídeos que a ensinavam a movimentar-se e a mexer-se. Num deles reparou que um dos instrutores era da sua idade e isso deu-lhe coragem para começar a sua jornada.

“Achei que se ele conseguia, eu também ia ser capaz. Com o tempo comecei a ficar forte e a gostar de seguir as aulas, fui ganhando alguma confiança com o meu corpo, mas era tudo uma coisa muito privada, que só me sentia bem a fazer ali sozinha no meu conforto. A ideia de treinar em público parecia demais para mim e assustava-me bastante.”

E assim foi durante cinco anos, até ao dia em que Ryan finalmente a conseguiu persuadiu a experimentar o ginásio do bairro. “Eu estava nervosa por ter as pessoas a olhar para mim, tinha medo que elas comentassem algo sobre a minha idade, mas a verdade é que tinha chegado ao meu limite dos exercícios em casa. Então entrámos juntos, experimentámos algumas máquinas e, quando saímos, lembro-me de ter dito ao meu filho que, afinal, a experiência não tinha sido assim tão má”.

 

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As idas ao ginásio passaram a ser cada vez mais regulares, até se tornarem diárias. “Os resultados começaram a aparecer e toda a gente reparava. Vinham ter comigo e diziam que gostavam de ter uns braços musculados e definidos como os meus.”

Os elogios multiplicaram-se e Ryan decidiu filmar alguns treinos da mãe para os partilhar no TikTok e Instagram. A página que criou, @granny_guns, já conta um milhão e trezentos mil seguidores e vários posts virais.

“Um dos vídeos teve cerca de oito milhões de visualizações, foi uma loucura. Percebi que aquilo que fazia inspirava muitas pessoas a entrarem em forma e isso encorajou-me a continuar.” Aos 64 anos decidiu participar na sua primeira competição fisiculturista.

Preparou-se como todos os outros atletas, fez o bronzeado artificial característico destes concursos e vestiu um biquíni, para mostrar ao máximo o corpo. “Estava com medo de participar, mas quando cheguei lá, percebi que todos se encorajavam e apoiavam. Queríamos o sucesso uns dos outros. No final, saí com um troféu nas mãos.”

Entretanto, ganhou mais quatro prémios, e atualmente, aos 67 anos, “é a atleta feminina mais velha dos EUA a ser patrocinada” — foi escolhida para representar a YoungLA, uma marca de roupa desportiva. Continua a treinar diariamente, e a rotina começa sempre em casa, com dez minutos de abdominais seguidos por 100 flexões. A seguir ruma ao ginásio, onde costuma passar duas horas com Ryan, que deixou de trabalhar e dedica-se exclusivamente a treinar a mãe.

“Os meus novos amigos do fisiculturismo tornaram-se a minha família. Quebrar estigmas é maravilhoso e incentiva à mudança. No ginásio, noto uma maior adesão de gente de idade avançada. Agora tenho a autoconfiança que nunca tive ao longo da minha vida. Ser mais velha significa apenas que preciso de mais tempo para recuperar. Fora isso, os anos são apenas um número na mente de quem pensa neles. Agora, a minha é missão de motivar aqueles que me rodeiam, porque quando nos começarmos a mexer sentimo-nos sempre melhor. Não há outra sensação tão boa quanto esta.”

 

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