Saúde

A “máquina semelhante à Nespresso” que deteta tipo de sangue em 3 minutos é portuguesa

O aparelho da CRIAM estará presente em milhares de hospitais e ambulâncias. Também tem a capacidade de identificar doenças.
É um projeto revolucionário.

O aparelho que promete revolucionar a deteção de doenças e testes ao sangue começou a ser desenvolvido em 2016 pela startup portuguesa CRIAM. Venceu o prémio Born from Knowledge, atribuído pela Agência Nacional de Inovação, na passada quinta-feira, 24 de novembro.

“Criámos uma máquina semelhante à Nespresso onde não é preciso mudar nada a nível de hardware. Os clientes apenas têm de adquirir o cartucho que já tem os reagentes necessários internamente para fazer testes”, conta Vítor Crespo, diretor executivo da startup, à NiT. Trata-se de “um spin off” de um projeto de doutoramento apresentado na Universidade do Minho, que deu origem à primeira versão daquele sistema.

Acabaram por ganhar uma competição mundial organizada pela Microsoft e foi graças a isso que Vítor Crespo, que trabalhava na empresa de tecnologia na altura, conheceu a startup. “Validámo-nos no mercado e começámos a desenvolver este novo projeto”, acrescenta. O primeiro ano foi de estruturação e, no segundo, tiveram “a felicidade de receber um investimento de São Francisco”, mais especificamente de Sillicon Valley — uma zona que abriga muitas empresas globais de tecnologia, independentemente das suas dimensões.

Depois, passaram seis meses na China, em Shenzen, onde criaram o primeiro protótipo da máquina. Posteriormente, validaram-na e apresentaram-na em diversos mercados e hospitais. “É um processo que demora muito tempo”, explica, e ao dispositivo apenas estará presente nos diferentes países a partir de 2024.

Já foi validada em Portugal, Inglaterra e Estados Unidos mas, atualmente, precisam de angariar mais investimento para acrescentarem outros à lista. Além dos hospitais, a máquina estará em veículos de emergência, nomeadamente ambulâncias e helicópteros, bem como em “pequenas clínicas que podem fazer os testes” e em bases militares.

A máquina é portátil.

Os aparelhos são bastante simples de utilizar. Têm cartuchos com reagentes que identificam os marcadores nas gotas de sangue colhidas por profissionais de saúde. “São colocadas na máquina e ela faz um movimento giratório para acelerar a reação. Assim que estiver concluída os nossos algoritmos calculam o resultado final”, explica. A precisão é de 99,79 por cento.

São várias as situações em que poderá ser utilizada. Vítor dá como exemplo o cenário hipotético de um acidente de viação com acidentados a precisarem de transfusões sanguíneas. Normalmente, o sangue utilizado para transfusões é o O-, “que pode ser dando a toda a gente, mas é extremamente raro”. Com o dispositivo, os técnicos de emergência médica poderão saber, em três minutos, qual o grupo sanguíneo dos feridos e poderão avisar o hospital para que tenham o tipo de sangue certo preparado quando chegarem.

Também consegue detetar doenças infeciosas, como a tubercolose, malária, HIV e sifílis. “São os testes que os hospitais apontaram como os que seriam mais necessários”, aponta Vítor Crespo. No futuro, querem alargar o leque de patologias: “basta treinarmos os algoritmos com os reagentes que conseguiremos detetar várias outras doenças”, realça.

Com sede em Braga, a CRIAM estima que o aparelho tem um mercado potencial de quatro mil milhões de euros, distribuídos por cerca de 170 mil hospitais e 100 mil ambulâncias. Geograficamente, apontarão primeiro para a União Europeia e Estados Unidos da América para a tipagem sanguínea.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT