Saúde

A resposta que todos queremos saber: dormir a sesta faz bem à saúde?

Os espanhóis fazem-no sem pensar duas vezes, mas os portugueses não têm este hábito.
Há quem não dispense.

É uma velha discórdia: há quem não tenha dúvidas de que dormir a sesta só traz benefícios para a saúde, mas também quem garanta que só fica com mais sono e mal disposto. Afinal, quem é que tem razão?

Estávamos em 2016 quando Nick Littlehales, o “treinador do sono” que ajudou Cristiano Ronaldo a controlar a sua rotina para melhorar a performance no desporto, disse que o nosso país vizinho é que sabe.

Em Espanha, a hora da sesta é sagrada. Aliás, as lojas fecham após o almoço para o merecido descanso e só abrem a meio da tarde. O guru do sono disse ao “The Guardian” que dormir entre 20 minutos a meia hora, durante a tarde, traz vários benefícios para o nosso estado de espírito e para a saúde.

Trabalhou com o Manchester United, nos anos 90, e propôs ao treinador da altura, Sir Alex Ferguson, que os jogadores tivessem um período para descansar. Ele concordou e, a partir daí, puderam dormir numa área com doze camas. Desde então, as organizações desportivas passaram a dar maior importância ao sono dos atletas.

Nike Littlehales diz que até se pode não chegar mesmo a dormir, mas que isso não importa: fechar apenas os olhos já esvazia a mente.

A ciência também defende o período da sesta. Em 2005, a Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, tinha revelado, através de uma investigação, que uma pequena sesta pode contribuir para o processamento da memória. Até a NASA incentiva os seus trabalhadores a dormirem curtos períodos de tempo. Porquê? Dizem que as sestas mantêm e chegam a melhorar o desempenho, o estado de alerta e até o humor. Nos pilotos, por exemplo, as sestas podem aperfeiçoar a performance em 34 por cento e o estado de alerta em 54 por cento.

Já um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América, publicado em 2007, avançou que quem fez regularmente uma sesta está significativamente menos propenso a morrer devido a doença cardíaca. 

As pesquisas continuaram e todas dizem o mesmo: há benefícios e não são poucos. Aliás, recentemente, em 2019, uma investigação realizada pela Sociedade Americana de Cardiologia atestou as vantagens de uma pausa a meio do dia.

“O sono a meio do dia parece reduzir os níveis de pressão arterial na mesma magnitude de outras mudanças no estilo de vida”, afirmou o cardiologista Manolis Kallistratos, do Hospital Geral AsKlepieion, em Voula, Grécia, e co-autor do estudo.

A resposta que todos queremos saber: dormir a sesta faz bem à saúde?

De acordo com o especialista, uma pequena dose de medicação anti-hipertensão baixa normalmente, em média, os níveis de pressão sanguínea entre cinco a sete mmHg (milímetros de mercúrio, a unidade de medida da pressão arterial). Já uma sesta durante o dia foi associada a uma baixa média de cinco mm Hg na pressão arterial.

Os investigadores até arriscam a comparar o resultado da sesta à redução do consumo de sal e de álcool. “Obviamente não estamos a encorajar as pessoas a dormir horas a fio durante o dia, mas por outro lado não devem sentir-se culpadas se conseguirem fazer uma sesta rápida, tendo em conta os potenciais benefícios para a saúde.” 

Quanto tempo deve durar uma sesta? Toda a gente deve fazê-lo?

Além de promover a inteligência e fortalecer o coração, os benefícios de dormir a sesta passam pelo aumento dos níveis de energia, controlar o stress e até melhora o humor. No entanto, estas vantagens podem ser colocadas em causa se o período de sono for muito longo.

Segundo os especialistas, a sesta não deve exceder os 30 a 60 minutos de duração no caso dos adultos. Caso contrário, pode entrar no sono profundo, provocando confusão e indisposição ao acordar, além de poder contribuir para insónia à noite.

Dizem, inclusive, que dormir apenas meia hora antes das 15 horas é o ideal para enganar o corpo e manter-se desperto depois dessa hora. Além disso, recomendam que a sesta seja sempre no mesmo horário. Desta forma, não corre o risco de confundir o seu ritmo circadiano.

E atenção: não durma a sesta antes do sono noturno, ou seja, seis horas antes da hora de se deitar. 

É que dormir a sesta na hora errada ou durante um período muito longo pode ter um efeito oposto ao esperado. Isto quer dizer que pode causar sonolência excessiva e falta de energia para enfrentar o resto do dia. Pode, inclusive, afetar o sono noturno e até o apetite. Portanto, não se esqueça de cumprir todos os passos para uma sesta benéfica.

A relação entre o sono e o peso

No entanto, dormir bem no período noturno também é essencial. Além de influenciar os níveis de energia, até pode ter impacto no seu peso.

“Ao dormir melhor terá um maior controlo do apetite e, consequentemente, uma melhor gestão do seu peso. Se isso não acontecer, é bastante maior a probabilidade de ter ataques de fome descontrolados e escolher alimentos pouco ricos nutricionalmente”, revela a autora do blogue “Manias de Uma Dietista”.

Para evitar esse cenário, antes de dormir deve evitar refeições pesadas, ricas em gordura e muito condimentadas.

Por outro lado, há alguns alimentos que deve privilegiar, já que podem ser aliados para ter uma noite mais tranquila e combater as insónias — sem ter de recorrer a medicamentos. Spoiler alert: o chocolate negro é um deles.

Carregue na galeria para descobrir, então, seis alimentos básicos que ajudam a dormir melhor (e alguns a emagrecer).

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