Saúde

A terapia da fala não é só para os miúdos — tenha atenção a estes sinais

A terapeuta Maria da Paz Cunha explica à NiT o que devemos ter em conta, não só de alerta mas como prevenção.
Há sinais a ter em conta.

Ao longo de uma vida, o nosso corpo cresce, desenvolve-se, adapta-se a um sem número de circunstâncias e envelhece. É natural que em tudo isto a área de saúde se tenha multiplicado, para responder a diferentes desafios.

Não por acaso, há muitas especialidades que são mais associadas a determinadas idades. Uma lesão ou um acidente vão obrigar a fisioterapia em qualquer altura de vida, por exemplo. Mas é natural que em idades mais avançadas a fisioterapia seja cada vez mais necessária. É o nosso corpo que o pede.

Com a terapia da fala, muitas vezes é nas idades mais precoces, de desenvolvimento da linguagem, que pensamos na sua intervenção. Não é um erro ser referência quando os miúdos estão a crescer. A terapia da fala é, muitas vezes, vista como uma abordagem terapêutica destinada à criança em idade pré-escolar e escolar. Desde questões de linguagem à alimentação, pode fazer a diferença. Mas a verdade é que pode ser útil em muitas outras alturas. É uma questão de estarmos atentos.

“Na criança, a articulação verbal dos sons e a aquisição de linguagem têm maior incidência de intervenção”, como reconhece À NiT Maria da Paz Cunha, terapeuta da fala no Hospital da Ordem da Trindade. Mas, em que idade dever-se-á recorrer à Terapia da Fala? “Não há idade, mas sim sinais de alerta”, destaca.

Com os mais novos, “logo que são detetadas dificuldades em dizer alguns sons da fala ou a criança mostra que tem problemas em se exprimir, a criança deverá ser encaminhada para uma avaliação”, realça Maria da Paz Cunha. “Uma intervenção precoce poderá evitar algumas dificuldades que poderão surgir posteriormente”, como dificuldades na leitura e até na escrita. Mas como vimos, a idade pode não ser fator decisivo.

Na linguagem, da fala, da voz e da deglutição há vários sinais de alerta que poderão indicar que a pessoa necessita de acompanhamento. “Estes sinais podem ser rouquidão persistente sem causa aparente, tosse durante ou após a refeição, dificuldade em engolir determinados tipos de alimentos, hesitações quando inicia a fala, dificuldade em encontrar as palavras que pretende dizer, entre outros”, destaca à NiT a especialista.

Na área da voz, por exemplo, a profissão de uma pessoa poderá ser fator relevante para a intervenção. Basta pensarmos em professores, educadores de infância, ou atores e cantores, que têm na voz parte essencial do seu sustento.

Quando deve pedir ajuda.

Como podemos prevenir este problema?

À NiT, a terapeuta da fala realça que há bons hábitos que vale a pena ter para prevenir problemas nesta área ao longo da vida. “Os hábitos alimentares saudáveis são dos primeiros que poderemos ter para prevenção de perturbações que afetam a voz, como por exemplo, evitando o refluxo gastroesofágico que pode causar lesão ao nível das cordas vocais”, destaca.

Para quem usa a voz como ferramenta de trabalho no seu dia a dia, a receita não poderia ser mais simples: hidratação. É essencial para ajudar ao esforço diário exigido às cordas vocais. Mas a terapeuta deixa mais conselhos — e alguns deviam figurar na nossa lista de diária de cuidados a ter, para evitar um sem número de problemas.

“Ter um momento no dia que promova o relaxamento quer físico, quer psicológico, é outro hábito que deveremos ter em conta”. Porquê? “O stress diário a que somos sujeitos poderá estar na origem da ocorrência de hesitações na fala fluente, descoordenação respiratória para a fala, perturbação gastrointestinal, dificuldade em ter um raciocínio rápido perturbando o modo como falamos e encadeamos aquilo que queremos dizer.”

Na prática, a tal intervenção precoce não é algo que seja útil apenas quando falamos de crianças. É lembrete que todos os adultos devem ter.

É daquelas pessoas que estão sempre a esquecer-se de beber água e que só se lembram quando parece que andou a caminhar um dia no deserto? Este artigo da NiT dá-lhe uma ajuda com sete truques para que isso não volte a acontecer. As dicas são das nutricionistas Lillian Barros e Alice Couto.

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