Saúde

Varíola dos macacos: que doença é esta que está a assombrar o Reino Unido?

A patologia infecciosa não se transmite facilmente entre humanos mas há já mais quatro casos confirmados em Inglaterra.
Macacos e roedores estão na origem do surto.

Foram identificados até ao momento 13 casos de varíola dos macacos (monkeypox) no Reino Unido nas últimas semanas. As autoridades acreditam que a maior parte terão sido contraídos em Londres, uma vez que os pacientes não têm histórico de viagens para países africanos, mas uma das pessoas terá viajado para a Nigéria — onde a doença é endémica em animais — no final do mês de abril.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi informada, no passado dia 7 de maio, de um caso confirmado de varíola numa pessoa que viajou do Reino Unido para a Nigéria. Esta desenvolveu uma erupção cutânea no dia 29 de abril e regressou a Inglaterra a 4 de maio”, revela em comunicado. A suspeita de se tratar de uma caso de infeção com varíola dos macacos levou a que os médicos encaminhassem o paciente para isolamento.

Segundo a autoridade de saúde, no dia 11 de maio deram início ao rastreamento extensivo para identificar pessoas que poderiam ter sido expostas ao vírus nos serviços de saúde, na comunidade e no voo internacional, em que o infetado viajou. Estes contactos considerados de risco vão a ser acompanhados durante 21 dias a partir da data da última exposição com o paciente, sendo que nenhum revelou sintomas compatíveis até ao momento.

Num comunicado, divulgado esta segunda-feira, 17 de maio, a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido confirma que abriu uma investigação para averiguar se os quatro novos casos têm uma ligação entre si. Dos últimos casos confirmados, três dos homens estão em Londres e um no nordeste de Inglaterra e, de acordo com as autoridades de saúde britânicas, todos admitem ter tido relações sexuais com pessoas do mesmo sexo.

Varíola dos macacos: que doença é esta?

É uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.

O contacto com animais vivos ou mortos infetados são fatores de risco, mas a doença não se transmite facilmente entre humanos. Porém, as autoridades de saúde britânicas não descartam “a possibilidade de transmissão em caso de contacto extremamente próximo com uma pessoa infetada”.

Em 2002, um surto de varíola dos macacos com origem em mamíferos do Gana contagiou 47 pessoas nos Estados Unidos. No mesmo país, em 2021 foram relatados dois casos de varíola humana importados da Nigéria.

Os primeiros sintomas incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, inchaço dos nódulos linfáticos, arrepios e cansaço extremo. Esta doença é em muitos aspetos semelhante à varíola, erradicada em 1979 — mas menos transmissível e menos mortal. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves. 

Apesar de ter sido declarada erradicada, desde setembro de 2017 que a Nigéria continua a relatar casos de varíola humana — no Delta do Rio Níger a varíola dos macacos é endémica.

A OMS aponta a interrupção da vacinação contra a varíola humana em 1980 como um dos motivos que justificam este surto de infeções.

As autoridades britânicas estão a trabalhar de perto com hospitais e parceiros internacionais para averiguação de casos semelhantes noutras cidade ou países. Todas as pessoas que estiveram em contacto com os casos de varíola dos macacos estão a ser acompanhadas e rastreadas. Aos contactos de maior risco está a ser disponibilizada profilaxia pós-exposição com vacinação.

Em Portugal, Gustavo Tato Borges presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) revela à NiT que as entidades de saúde estão atentas a possíveis casos.

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