Saúde

Afinal, porque é que os gatos não bebem água ao ponto de ficarem desidratados?

A NiT falou com a veterinária Carolina Bartolomeu para perceber melhor este problema, que se torna mais sério no verão.
A condição é comum a todos.

Se tem gatos, certamente esta não é uma novidade para si. Os gatos bebem muito pouca água e, sobretudo nos meses mais quentes, essa pode ser uma condição que acarreta problemas de saúde para os felinos. Mas, afinal, porque é que os gatos bebem tão pouco?

“Os gatos domésticos descendem do gato selvagem africano, Silvestris Libyca, um habitante do deserto, adaptado a um meio ambiente seco, onde a disponibilidade de água era bastante escassa e muitas vezes a água a que tinham acesso estava apenas disponível no organismo das suas presas. A sobrevivência nestas condições apenas era possível adaptando-se a beber pouca água e limitando ao máximo a perda de água pelo organismo, nomeadamente através da concentração da urina”, explica à NiT a veterinária Carolina Bartolomeu.

Este processo de adaptação fisiológica manteve-se até aos dias de hoje e, por isso, os gatos apresentam um estímulo de sede inferior a outros animais domésticos, como os cães. “Outra curiosidade, é que, não sendo obviamente aconselhável que os gatos bebam água do mar, conseguiriam hidratar-se mesmo que a bebessem.”

Porém, se por um lado esta característica pode trazer benefícios em ambientes desérticos, traz também desvantagens. Uma vez que estes felinos bebem pouca água, produzem uma urina mais concentrada e, por isso, um maior risco para a formação de cristais e cálculos urinários, que podem levar a obstruções ou lesões, explica-nos a Vet Channel Manager da Nestlé Portugal.

Há vários truques que podem funcionar, para tentar contrariar esta tendência, apesar de nenhum ser infalível com todos os gatos. Um deles é optar pela água em movimento, através de uma fonte, uma torneira de água a correr, ou a pingar. Pode também optar-se por bebedouros de loiça, ou de inox, para não alterar o sabor da água — e é importante que esta esteja sempre fresca.

É também importante utilizar recipientes largos, e bem cheios, uma vez que os gatos não gostam de tocar com os bigodes na borda dos recipientes e oferecer mais bebedouros do que o numero de animais. Por exemplo, se tiver dois gatos, deverá ter pelo menos três bebedouros.

“Uma ideia interessante poderá ser também congelar cubos de água da cozedura de carne ou peixe sem qualquer tipo de tempero, e diariamente adicionar ao bebedouro um cubo de forma a aromatizar a água.”

No entanto, a própria nutrição do animal pode desempenhar um papel crucial na sua hidratação, e promover um trato urinário mais saudável. “Sabemos hoje, que um gato que tem água à sua disposição e além de alimento seco, também consome diariamente alimento húmido, no final do dia ingere mais água total do que um gato que apenas consome alimento seco e bebe água da taça. Isso irá ajudá-lo a manter-se hidratado e a produzir um maior volume urinário, levando a que urine mais vezes uma urina mais diluída, o que por sua vez ajudará a controlar muitos dos problemas das vias urinárias.”

A Sociedade Internacional de Medicina Felina, também recomenda que os felinos consumam alimento húmido diariamente, como forma de prevenção da desidratação e de problemas urinários. No entanto, explica a veterinária de 42 anos, deve ser ainda feito o ajuste da dose de alimento seco, para evitar o excesso de consumo de calorias.

A Felix lançou no passado mês, caldos com carne ou peixe para estes animais de estimação. Estão disponíveis em duas variedades: a seleção de peixes com bacalhau, atum e solha; e a seleção do campo com vaca, frango e borrego. Cada caixa (2,35€) contém seis saquetas de 48 gramas, sem corantes, aromatizantes ou conservantes artificiais adicionados, e tudo pronto a comer.

Também da Purina, encontra sopas gourmet (desde 0,84€ por unidade) nos supermercados. Além disso, a oferta no mercado de comidas húmidas, dos mais variados sabores e marcas, é muito vasta.

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