Após 10 dias no espaço, para uma viagem histórica à volta da Lua, os astronautas da missão Artemis II aterraram na Terra na madrugada deste sábado, 11 de abril. Com um escudo térmico criado à base de cortiça portuguesa para proteger a nave das temperaturas extremas, deram por encerrada a primeira ida tripulada ao redor da Lua em 50 anos.
Engane-se, porém, quem acredita que a experiência da tripulação terá chegado ao fim. Embora tenham passado um período de tempo relativamente curto no espaço — em 2024, Suni Williams e Butch Wilmore passaram 608 dias, por exemplo —, voar em gravidade zero traz alguns efeitos secundários.
A primeira tarefa foi ajudar a crew (composta pelos norte-americanos Reid Wiseman (50 anos), Victor Glover (49), Christina Koch (47) e o canadiano Jeremy Hansen, de 50) a sair em segurança da cápsula Orion, com ajuda NASA e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. “É aí que entra o meu trabalho: recuperar o módulo da tripulação, juntamente com todos os outros funcionários da NASA e da Amentum que se encontram na nave”, afirmou o engenheiro Jason Endley, citado pelo site “Unilad”.
Uma equipa de quatro helicópteros sobrevoa a nave especial, dois para o resgate e outros dois para tirar fotografias, segundo o jornal “Florida Today”. Um deles faz chegar aos astronautas um colar estabilizador para manter a cápsula a flutuar na posição certa e, então, uma cesta recolhe o primeiro astronauta e leva-lo para um navio da marinha. Foi o que aconteceu esta madrugada.
Como reage o corpo?
“Em algumas experiências com ratos, observou-se uma perda de até um terço da massa muscular de determinados grupos musculares no espaço de sete a dez dias de voo. Trata-se de uma perda enorme, enorme”, explicou o fundador do Centro de Medicina de Altitude, Espaço e Ambientes Extremos da University College London, Kevin Fong, à BBC.
Para combater este problema, a equipa da Artemis incorporou uma rotina de treinos com um aparelho chamado flywheel. Trata-se de um sistema de exercício físico com uma roda de inércia que, ao girar, cria resistência mecânica em vez de depender da gravidade ou de pesos pesados.
Além de ser fundamental para atenuar a perda de massa óssea e muscular, permite realizar treinos de resistência de alta intensidade em espaços limitados, como a cápsula. Torna possível a realização de mais de 300 exercícios no espaço, incluindo saltar repetidamente em gravidade zero.
Sobre a readaptação à vida na Terra, a astronauta da NASA Jasmin Moghbeli, que regressou aos EUA em 2024, após 200 dias no espaço, afirmou: “De olhos fechados, era quase impossível andar em linha reta”. Isso acontece porque o equilíbrio do ouvido interno, que os humanos usam para se orientarem, fica efetivamente desativado quando estão no espaço.
Também o astronauta da ESA (Agência Espacial Europeia) Andreas Mogensen, que participou na mesma missão, disse que se sentiu “instável nos primeiros dois dias”. “O meu pescoço estava muito cansado de ter de sustentar a cabeça”, acrescentou, citado pelo site “UNILAD”.
A mesma sensação foi partilhada por Jeanette Epps, da NASA, que passou 235 dias no espaço e regressou em outubro de 2024. Segundo a astronauta, o principal aspeto a que teve de se habituar foi a gravidade da Terra. “Temos de nos movimentar e fazer exercício todos os dias, independentemente do cansaço que se sinta”.
Durante esta missão, além de imagens impressionantes do lado oculto da Lua, da Terra vista do espaço e até de um eclipse observado em órbita, houve também tempo para pequenos virais: como quando um frasco de Nutella foi visto a flutuar no espaço.
Leia o artigo da NiT para saber o que os astronautas comem durante a missão. Emocione-se com a história da cratera na Lua que ganhou o nome da falecida mulher do comandante da Artemis II e descubra também o que os astronautas ouviram no espaço.

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