Saúde

“Alarmante”: mais de 80% dos portugueses têm sintomas de fadiga pandémica

O estudo revela ainda que as mulheres estão mais cansadas mentalmente do que os homens. Especialistas estão preocupados.
António Costa falou ao País.

Os níveis de fadiga pandémica na população portuguesa estão cada vez mais elevados. De acordo com um estudo realizado pelo projeto PsiQuaren10, mais de 80% dos portugueses apresentam níveis preocupantes.

“São alarmantes, sobretudo quando queremos comunicar às pessoas que vão continuar ou confinadas e a terem de cumprir muitas medidas restritivas”, revela Ivone Patrão, do ISPA-Instituto Universitário, citada pela “TVI24”.

Com início em novembro de 2020, este estudo inquiriu por via online 1.854 adultos, a maioria da região de Lisboa, Setúbal e Porto. Os resultados foram claros: 82,2% dos inquiridos revelaram níveis de fadiga pandémica moderada ou elevada/severa.

Ao longo do tempo foi possível perceber que há diferenças entre os valores apresentados na segunda e na terceira vagas da pandemia, até porque, com sublinha a coordenadora do estudo, “numa estamos num confinamento parcial e noutra estamos num confinamento total e há uma variável aqui que discrimina a forma como as pessoas se sentem”.

Em janeiro e fevereiro, foi notório que as pessoas estavam “mais cansadas, com níveis superiores de fadiga pandémica“. Ao mesmo tempo, os dados indicam que as mulheres têm níveis de fadiga pandémica superiores aos homens e que os mais novos apresentam níveis superiores em relação aos mais velhos.

Estar em isolamento ou quarentena, considerar o teletrabalho mais cansativo, sentir que as notícias sobre a pandemia de Covid-19 têm um impacto negativo sobre o próprio e ter amigos ou familiares que testaram positivo foram fatores determinantes para estes níveis tão elevados de fadiga pandémica.

“Temos de saber comunicar bem e de uma forma que seja eficaz para pessoas que já estão cansadas e desgastadas, com todo o tempo que esta pandemia já leva”, aponta ainda Ivone Patrão.

A especialista defende também que é necessário dar maior importância à saúde mental e ter em conta a forma como é feita toda a comunicação nesta altura: “A forma tem de ser outra, tem de ser pelo exemplo positivo, valorizar todos os esforços que as pessoas estão a fazer”.

A fadiga pandémica tem atingido cada vez mais pessoas em todo o mundo e Portugal não é exceção. A Organização Mundial da Saúde explica este fenómeno como uma “desmotivação para seguir comportamentos de proteção, que emerge ao longo do tempo e é afetada por um número de emoções, experiências e perceções”.

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