Os primeiros alertas surgiram em janeiro e, desde então, não têm parado. Vários países europeus mostraram preocupação com um novo desafio no TikTok entre os jovens: o Paracetamol Challenge. O objetivo? Tomar o maior número de comprimidos para ver quem tem mais resistência. Quem aguentar mais tempo sem ir parar ao hospital, vence.
A tendência, como muitas outras do género, começou nos Estados Unidos da América no ano passado, mas já chegou a países como Espanha, França, Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Suíça e Argentina.
O paracetamol é um medicamento muito comum, utilizado principalmente para aliviar a dor ligeira e baixar a febre. É indicado principalmente em situações como dores de cabeça, dores musculares, de dentes, menstruais e para os sintomas de gripe. Quando tomado nas doses recomendadas, é considerado seguro e eficaz para a maior das pessoas.
No entanto, os limites estão a ser ultrapassados com este novo desafio no TikTok, considerado extremamente perigoso. Ao contrário de outros fármacos, uma sobredosagem nem sempre provoca sintomas imediatos intensos, o que pode levar a uma falsa sensação de segurança.
Nas primeiras horas podem surgir apenas náuseas, vómitos, suor excessivo ou mal-estar geral. O problema mais grave é que o excesso de paracetamol pode causar lesões graves no fígado, porque o organismo produz substâncias tóxicas ao tentar metabolizar grandes quantidades do medicamento. Em casos mais severos, pode ocorrer insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante de fígado e até morte.
A tendência das redes sociais levou os governos de vários países a enviar alertas para a população. “Adolescentes, a vossa saúde é muito mais importante do que desafios online”, apontou um comunicado da Eslovénia, publicado em janeiro.
Com o aumento de vídeos publicados online, o próprio TikTok foi obrigado a manifestar-se, especialmente após a morte de Jacob Stevens, um adolescente de 13 anos de Ohio, nos EUA, que fez o desafio em casa com amigos. O jovem esteve em coma durante uma semana antes de morrer em novembro do ano passado.
“As nossas mais profundas condolências à família. No TikTok, proibimos e removemos rigorosamente conteúdos que promovam comportamentos perigosos, sendo a segurança da nossa comunidade a nossa prioridade. Nunca vimos este tipo de conteúdo tornar-se tendência na nossa plataforma e bloqueámos pesquisas há vários anos para ajudar a desencorajar comportamentos de imitação. A nossa equipa de 40 mil profissionais de segurança trabalha para remover violações das nossas Diretrizes da Comunidade e encorajamos a nossa comunidade a denunciar quaisquer conteúdos ou contas que suscitem preocupação”, garantiu a plataforma.

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