Saúde

Alterações climáticas podem interferir com a qualidade e horas de sono

Cientistas comprovam aquilo que milhares de pessoas já sentem em todo o mundo: o calor interfere com a capacidade de dormir bem.

Já todos sofremos com noites mal dormidas por causa do calor infernal. Como quase tudo, existe uma explicação para isso: vários especialistas afirmam que é mais difícil entrar num sono profundo quando a temperatura corporal está mais alta. Uma investigação recente, que juntou cientistas de universidades dinamarquesas e alemãs, confirma que a situação irá agravar-se com a escalada das alterações climáticas que já se fazem sentir.

Até ao final do século iremos dormir até 58 horas a menos por ano devido ao calor, conclui um estudo publicado na passada sexta-feira, 20 de maio, na revista “One Earth”. As pessoas dos países mais pobres e/ou com climas mais quentes, idosos e mulheres estão entre os mais vulneráveis. Porém, os especialistas alertam que “o efeito será transversal”.

As noites mal dormidas são um fator de risco para a saúde. Estão associadas à redução do desempenho cognitivo, diminuição da produtividade, comprometem o sistema imunitário e podem resultar em problemas cardiovasculares, depressão, irritabilidade e até comportamentos suicidas. “As temperaturas elevadas têm sido associadas à redução da qualidade subjetiva do sono, mas pouco se sabe sobre a influência das condições atmosféricas nestes momentos”, começam por adiantar os investigadores.

A investigação analisou o impacto das alterações climáticas na qualidade do sono. Os cientistas comprovaram que a subida de temperatura (uma das consequências destas mudanças) afeta a regulação da temperatura corporal que tem impacto não só nas horas de sono com qualidade, mas também na saúde em geral

Durante a pesquisa foram analisados sete milhões de registos de pulseiras digitais que mediram as horas de sono de 47 mil participantes de 68 países e uma das primeiras conclusões a que chegaram é que o calor influencia a capacidade de adormecer, roubando tempo de descanso.

“Os dados indicam que, em noites muito quentes (acima dos 30°C), o sono diminui cerca de 14,08 minutos”, explicam os autores do estudo. “Temperaturas mínimas noturnas superiores a 25°C aumentam a probabilidade de dormir menos de sete horas por noite em 3,5 pontos percentuais em comparação com a linha de base da temperatura de 5°C a 10°C” — as consideradas ideais para dormir bem.

Os investigadores apontam que em 2099, as temperaturas altas podem comprometer um total de “50 a 58 horas de sono por pessoa por ano, com as mudanças climáticas a produzir desigualdades geográficas que aumentarão com as emissões futuras”. Porém os autores admitem que pesquisa feita pode ser limitada, uma vez que as pessoas, se tiverem condições para tal, adaptam a temperatura ambiente do espaço para estarem mais confortáveis na hora de dormir e isso pode interferir com os dados. 

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