Saúde

Ana Bravo esteve à beira de um burnout, recuperou e agora quer ajudar os outros

A nutricionista de várias celebridades portuguesas lançou o livro "Nutrição com Coração", onde partilha a sua experiência pessoal.
Está sempre a sorrir.

“Após uma fase de vida menos boa, cheguei à conclusão de que não faz sentido partilhar apenas a vida cor-de-rosa, as experiências lindas, os pratos apetecíveis, em fotos editadas numa cozinha de sonho, ou apenas expor regras bem elaboradas, sem antes o ajudar a perceber o que vai dentro de si e o liga à comida e à forma como se alimenta” — esta é uma das frases que marca o novo livro de Ana Bravo.

Em “Nutrição com Coração”, que chegou às livrarias em fevereiro, a nutricionista favorita de muitas celebridades portuguesas decidiu desmanchar o cenário de uma vida aparentemente perfeita e dar a conhecer as suas fragilidades. Acredita que esse é o ponto de partida para alcançar o equilíbrio interior.

Tudo isto pode parecer demasiado abstrato mas, segundo a especialista, resume-se a uma coisa: gostar genuinamente de si própria — e ajudar as outras pessoas a fazerem o mesmo. Isto inclui, por exemplo, mudar a forma como nos relacionamos como a comida.

Nutricionista há 16 anos, Ana Bravo nasceu no Porto mas viveu praticamente toda a sua vida em Trás-os-Montes. Desde que tirou o curso, em 2004, a sua vida divide-se entre Lisboa e o Porto. 

“A minha relação com a comida passou por várias fases. A minha mãe sempre teve cuidado com tudo o que se comia. O refrigerante só existia em dias de festa, assim como batatas fritas. Não era uma proibição, mas evitava-se. Lembro-me de que levava os meus colegas a casa e sentia-me constrangida, uma vez que não tinha para oferecer a comida a que eles estavam habituados. Já quase no curso, em fase adulta, percebi que foi a melhor opção. Contribuiu para ter maturidade alimentar”, revela à NiT Ana Bravo, 38 anos.

Aos seis anos, teve uma apendicectomia (remoção total do apêndice) e esteve à beira da morte. A partir daí, teve bastante dificuldade em comer.

“Chamavam-me para ir almoçar ou jantar e era quase como se me tivessem a pedir para me atirar de uma ponte — era essa a sensação. Embora sempre tenha sido ligada à cozinha, comecei a colocar em prática a estratégia de esconder a comida na cozinha das bonecas para não comer. A determinada altura, tinha de ir para o lixo. Eu continuava a comer, mas não tanto.”

“O meu burnout não foi causado por algo físico mas, sim, pela parte mental. Descobri que gostava muito do que fazia, mas não da forma como o fazia.”

Na adolescência, quando o seu corpo estava a mudar, passou por problemas hormonais que fizeram com que tivesse mais apetite. Recorda à NiT as noites em que levava para o quarto um tabuleiro cheio com flocos, iogurtes, fruta, entre outras coisas. Tem dificuldade de se libertar desde hábito até hoje — “é um ato de muito prazer”.

“Há pais que têm um filho gordinho e um magrinho, e há coisas que o último tem lá em casa e não pode comer. Isto cria uma má relação com a comida. Comer não é só fisiológico. Eu, quando penso em comida de aconchego, faço uma papa de tapioca porque era o que a minha avó me fazia. Não sou fundamentalista, nunca serei. Não corto hidratos, não faço dietas da moda e aposto em planos alimentares o mais equilibrados possível”, revela à NiT.

Ana Bravo quer ter uma relação de amor com a comida — e esta é a mensagem mais forte do seu livro. Garante que é essencial apreciar o ato de comer e não que esse momento seja visto apenas como mais uma tarefa — ou mais uma exigência — do dia a dia.

A importância de ver o momento de comer como um ato de amor

“Gostava que se percebesse que a alimentação não é um fim, mas sim um princípio constante e, como tal, só deve desencadear emoções boas (…) A consciência alimentar é urgente, sim, mas não este fundamentalismo que escraviza as pessoas. Esquecemo-nos de nós, e é nesse caminho que pretendo ajudar”, pode ler-se em “Nutrição com Coração”.

Apesar da sua formação em nutrição, Ana não é adepta de extremismos. No entanto, esqueceu-se durante alguns anos do que é saborear cada refeição, assim como cada tarefa da sua vida. Resultado: foi diagnosticada pelos médicos como estando de uma próxima de um burnout. 

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