Saúde

“Andar dependente de lenços de papel não é normal nem aceitável”, alerta especialista

"Síndrome de espirros do outono" é o nome dado à condição que nos leva ao desespero durante esta altura do ano.
É um desespero.

Esta altura do ano até pode ser mágica, mas só para alguns. Passar o dia a espirrar, rodeado de lenços de papel e com os olhos a lacrimejar, pode ser desesperante — tanto para quem sofre com esta condição, como para quem ouve aquele irritante “fungar” dias a fio. O aumento no número de casos tem sido de tal forma a exponencial, que os especialistas já lhe deram um nome: “síndrome de espirros do outono”.

Apesar de parecer uma condição ligeira e pouco grave, limita bastante a vida quotidiana. Está relacionada com o aumento de casos de rinite alérgica e que pode estar associada ao frio e aos ácaros que tomam conta do País nesta altura do ano. A boa notícia é que é possível prevenir os temidos espirros.

“A prevalência da doença tem aumentado. Os números mais recentes indicam que um terço dos portugueses sofrem de alergias e 30 por cento de rinite alérgica”, começa por explicar à NiT Sofia Pinto Luz, imunoalergologista da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).

A rinite, associada muitas vezes a quem sofre de alergias, é uma doença inflamatória crónica da mucosa nasal. “Na origem desta condição está a exposição a determinados estímulos (alergénios), aos quais o sistema imunológico reage, ocorrendo inflamação.”

Espirros, nariz a pingar ou entupido e comichão. Quem sofre com estes problemas já está habituado aos sintomas. A patologia atinge o pico na primavera, com a proliferação dos pólens, mas no outono e inverno continua a atacar. “As temperaturas da estação são ótimas para gerar uma segunda época polínica”, adianta a especialista em imunoalergologia.

Com a descida das temperaturas, passamos mais tempo em locais fechados, temos tendência a fechar as janelas para o frio não entrar e há uma menor ventilação dos espaços e de entrada de luz natural. Isto significa, que os grandes culpados por estas reações do organismo serão, sobretudo, os ácaros, os pêlos dos animais e os fungos. Embora sejam menos frequentes nesta altura do ano, também existem alguns pólens que podem originar situações semelhantes.

No outono e inverno é frequente recorrer a aquecedores e aparelhos de ar condicionado para regular as temperaturas de espaços fechados. Contudo, estes equipamentos funcionam como uma espécie de habitat para os ácaros que podem espoletar uma crise nas pessoas que já têm tendência a sofrer desta condição.

“Andar dependente de lenços de papel não é normal nem aceitável, porque existe tratamento”, sublinha Sofia Pinto. “Além disso é preciso cuidado, porque uma rinite mal tratada, pode, frequentemente, evoluir para asma alérgica”, acrescenta.

Caso sofra destes sintomas, o melhor é marcar uma consulta com um especialista em imunoalergologia, e realizar testes para despistar a origem das alergias. Os tratamentos para as crises podem ir desde anti-histamínicos a corticoides, ou, em caso de asma, pode ser necessário o recurso a um inalador.

Se costuma ser afetado pela “síndrome de espirros do outono”, não desespere. É possível prevenir estas reações alérgicas e viver tranquilamente esta estação do ano.

Carregue na galeria para saber quais as medidas que deve tomar para evitar as alergias nas estações frias.

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