Saúde

Está ansioso pelo regresso ao trabalho? Preste atenção a estes sinais e saiba o que fazer

É bem mais comum do que imagina. Em certos casos pode ser causa para preocupação, mas na maior parte das vezes não. E há dicas que vão ajudar.
É um problema muito comum.

As férias são aquele tempo sagrado de descanso. Mas por vezes têm o seu quê de paradoxal. Nota-se quando falamos de ansiedade. Não é mito e ela existe mesmo. Tanto pode afetar-nos ainda antes de irmos de férias, como a NiT já lhe contara antes, como na altura do regresso.

Nesta altura em que muitos portugueses estão a preparar-se para retomar a rotina, isto é cada vez mais visível. Isso mesmo reconhece Ana Rita Silva, psicóloga clínica no Hospital CUF Viseu. “ As férias são um dos momentos mais desejados de um ano de trabalho, sendo o regresso ao trabalho um dos quais a maioria das pessoas gostava de ver adiado”, diz à NiT.

Atenção: isto aplica-se mesmo quando a pessoa gosta do que faz e da sua rotina. “Afinal, por mais que o trabalho seja prazeroso, com um bom ambiente, bons colegas e satisfação nas funções que desempenha, todos precisam de um período de descanso”, destaca. “Voltar à rotina diária habitual nem sempre é fácil de gerir, o que pode ser gerador de alguma ansiedade”, acrescenta.

Como se manifesta?

Há muitas formas e sinais que nos dizem que esse regresso constitui um desafio. Apatia, variação de humor, falta de energia, dificuldade em manter a atenção e concentração, impaciência, irritabilidade, dificuldade em dormir, dores musculares e de cabeça são alguns dos sinais que a psicóloga destaca.

Em certos casos, não é um quadro que mereça especial preocupação. Duas semanas de férias são tempo mais do que suficiente para o organismo se ambientar a um ritmo e rotinas diferentes. São queixas “ajustadas e normais”, explica Ana Rita Silva. É a tal nova adaptação, ainda que já conheçamos há muito o que iremos encontrar no regresso ao trabalho. Mas não é só o ritmo.

Durante as férias recarregamos baterias também ao nível físico e emocional e é normal que nos mostremos resistentes a acelerar novamente no momento do regresso ao trabalho”. Não se recrimine, portanto. Numa empresa, seja qual for a função, toda a gente há-de já ter sentido algo semelhante.

Há estratégias que podem ajudar.

Isto é importante: a ansiedade em certos contextos pode e deve mesmo ser vista por uma perspetiva clínica. Aqui não é esse o caso mas o tal desconforto está lá. “Nenhum dos manuais de psiquiatria ou psicologia reconhece o síndrome pós-férias como uma doença mental, o que não significa que possa ser uma fonte de desconforto para as pessoas que retornam das férias ou de um período de descanso”.

É, portanto, um desequilíbrio temporário. Na maioria dos casos, não evolui para aquilo que a psicóloga designa como “ansiedade prejudicial”, algo que já que interfere significativamente com a qualidade de vida da pessoa. Isto quer dizer não só que o problema se vai resolver, como podemos fazer algo para facilitar o processo.

O que fazer?

Atenção: se o regresso for especialmente difícil, se houver uma acentuada sensação de mal-estar que se prolonga sem aliviar nas duas ou três semanas seguintes, tente não desvalorizar. Na verdade, se for esse o caso, pode até ser importante procurar apoio psicológico.

Ana Rita Silva enumera à NiT algumas dicas super práticas. Uma das estratégias, quando possível, é regressar a meio da semana. “Com uma semana laboral mais curta e o aproximar do fim de semana o impacto da mudança é menor.”

Assim que regressa, vá ajustando progressivamente os horários e as rotinas ao longo da semana. Além do mais, respeite o seu ritmo. “É normal existir alguma dificuldade no momento de regressar ao trabalho, por isso encare com naturalidade e aceite esta necessidade de adaptação”. E sim, mantenha um espírito positivo.

Outra sugestão da psicóloga é daquelas especialmente bem-vindas, caso consiga planear com antecedência. Marque uns dias, ainda que seja só um fim de semana, para poucas semanas após regressar. Vai prolongar um pouco mais a sensação de férias.

Há também estratégias para aplicar logo no primeiro dia (aquele que é natural que seja especialmente difícil). “Levante-se um pouco mais cedo do que o necessário. Cuide de si, tome o pequeno-almoço com calma e saia de casa com tempo”. Quando chegar ao trabalho, no primeiro dia do recomeço opte por tarefas mais simples. “Organize a sua agenda e defina prioridades. Não queira resolver todos os assuntos pendentes logo no primeiro dia.”

Finalmente há princípios que se aplicam nesta altura mas que são para manter ao longo de todo o ano. Isto inclui não ignorar as pausas e períodos de descanso, não descurar a saúde, manter atividade física de forma regular, algo “fundamental para libertar a tensão e reduzir a ansiedade”. E, claro, não se esqueça de guardar tempo para a família, amigos e atividades que dão prazer. Nunca é demais dizê-lo: a vida não é só trabalho.

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