Saúde

Apanhar uma gripe pode ser mais perigoso do que estar infetado com Covid-19

Alguns especialistas acreditam que o coronavírus já pode ser visto como uma doença sazonal e endémica. Outros defendem o contrário.
Os sintomas são semelhantes.

Após dois anos de angústia e incerteza relativamente aos riscos associados à Covid-19, eis que os investigadores chegam à conclusão que apanhar uma gripe pode ser mais grave.

Nos últimos meses, em que a disseminação da doença começou a abrandar depois da explosão nos primeiros meses de 2022 do número de infetados com a variante Ómicron, a comparação entre as duas patologias infecciosas tem sido frequente.

Afinal, quando é a Covid-19 passará a ser vista como uma gripe? A resposta que todos querem ler já foi dada nos Estados Unidos. “Sim, estamos lá. Acredito que chegou o dia”, arriscou responder à rádio NPR Monica Gandhi, especialista em doenças infeciosas da Universidade da Califórnia, São Francisco.

Gandhi acrescentou que, atualmente, a maioria das pessoas [nos EUA] têm imunidade suficiente — conseguida através da vacinação, infeção ou ambas — para as proteger contra as formas mais graves da doença. Ela e outros investigadores chegaram a esta conclusão na sequência da análise do comportamento da variante Ómicron, que parece ser menos grave que as estirpes anteriores. Assim, a menos que surja uma variante mais agressiva, a ameaça que a Covid-19 representa para a maioria das pessoas diminuiu consideravelmente. Isto significa que podem viver a sua vida diária “da mesma forma que costumam viver com a gripe sazonal endémica”, explicou.

A opinião dos especialistas em doenças infeciosas relativamente ao risco, não é, de todo consensual. Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública explicou à NiT que outros peritos afirmam que “o risco de hospitalização e mortalidade é bastante superior, especialmente para os mais vulneráveis“. Anthony Fauci, conselheiro médico da Casa Branca, e diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas dos EUA é um dos nomes que já manifestou publicamente o seu desacordo. O médico discordou da posição de Gandhi argumentando que: “a gravidade de uma em comparação com a outra é bastante acentuada. E o potencial para matar também”.

O debate sobre a taxa de mortalidade levou a outra discussão que Gustavo Tato Borges já apelida de “a velha questão” — a contabilização das mortes por ou com Covid-19. Gandhi e outros investigadores argumentam que o número de óbitos diários atribuídos à infeção viral é exagerado, “porque muitas das mortes imputadas à doença foram causadas por outras patologias”.

“Ainda ninguém tem a certeza se a Covid-19 pode entrar na ‘categoria de risco’ da gripe nesta fase”, conclui o especialista português em saúde pública. E continua: “Existem, no entanto, bons sinais de menor risco atual face a outras alturas da pandemia”, realça Tato Borges. Um cenário que se deve a vários fatores cumulativos como a proteção dada pelas vacinas, às medidas não farmacológicas (máscaras de proteção, higienizarão das mãos e distância social) e aos fármacos utilizados no tratamento “que são cada vez mais eficazes e podem ajudar a combater a gravidade da doença”, remata o médico.

O que pode fazer para se proteger?

A gripe sazonal praticamente não existiu nos últimos dois anos. E se muitos argumentam que foi simplesmente porque o coronavírus ocupou o seu lugar, a verdade é que as medidas de proteção individual adotadas contribuíram significativamente para a diminuição das infeções pelos vírus da influenza.

Para evitar que a gripe lhe bata à porta este ano, existem alguns hábitos que pode adotar para se prevenir. Uma das formas mais simples passa por se vacinar antes da época sazonal desta epidemia. Higienizar as mãos com frequência também é outro dos comportamentos que o podem ajudar a escapar à gripe. A isto pode juntar ainda a proteção das máscaras quando se encontra em locais interiores com muitas pessoas. No entanto, é também possível proteger-se destes vírus mantendo um estilo de vida saudável. Fazer uma alimentação equilibrada é meio caminho andado para reforçar o sistema imunitário.

Para que conheça os melhores nutrientes que podem ajudá-lo a ficar mais forte — e a combater os vírus — Bárbara de Almeida Araújo partilhou uma lista com as seis propriedades que vão ajudá-lo a reforçar o sistema imunitário e os principais alimentos onde pode encontrá-las.

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