Saúde

Apenas 2,9% da população em Portugal tem anticorpos para o novo coronavírus

Os primeiros resultados do inquérito serológico foram avançados na conferência de imprensa desta sexta-feira, 31 de julho.
Não existe imunidade de grupo em Portugal.

Na conferência de imprensa de acompanhamento à evolução da pandemia, que decorreu esta sexta-feira, 31 de julho, foram apresentados os resultados preliminares do Inquérito Serológico Nacional à Covid-19. A percentagem da população portuguesa com anticorpos (seroprevalência) ao coronavírus SARS-Cov-2 é estimada em 2,9 por cento — um valor inferior ao necessário para alcançar uma potencial imunidade de grupo.

O inquérito, explicou a ministra da Saúde, Marta Temido, “teve como objetivo principal estimar a presença do vírus na população portuguesa”. Acrescentou ainda que o trabalho de campo decorreu entre 21 de maio e 8 de julho.

A amostra analisada foi de 2301 pessoas em Portugal, com idade superior a um ano, e contou com residentes de todas as regiões do nosso País, incluindo as ilhas. Participaram também 96 postos de colheita e 18 hospitais do Serviço Nacional de Saúde (cerca de três por região).

Os primeiros resultados demonstraram que a seroprevalência foi mais elevada nas pessoas que relataram ter tido um contacto prévio com um caso suspeito ou confirmado do novo coronavírus (22,3 por cento contra dois por cento) e naqueles com sintomatologia compatível com a doença — febre, arrepios, astenia, odinofagia, tosse, dispneia, cefaleias, náuseas/vómitos e diarreia — (6,5 porcento contra dois por cento).

Os dados foram explicados ao pormenor por Ana Paula Rodrigues, coordenadora do Inquérito Serológico Nacional Covid-19, que também esteve presente na habitual conferência.

“Não quer dizer que não existam efetivamente diferenças se tivéssemos um nível de prevalência mais elevado, mas são valores muito pequenos para ser possível determinar que eles sejam diferentes”, esclareceu.

A proporção de pessoas com anticorpos contra a Covid-19 é superior na região de Lisboa e Vale do Tejo (3,5 por cento). “À data do estudo tinha um maior número de casos”, clarificou.

Já o Alentejo registou o nível mais baixo (1,2 por cento). No entanto, destacou a coordenadora do estudo, não é possível considerar que “estas diferenças entre as regiões de saúde tenham significado estatístico”.

Ana Paulo Rodrigues avançou, ainda, o facto de se terem encontrado uma valor de anticorpos mais elevado nas pessoas com ensino secundário face àquelas com ensino superior. Segundo a responsável, pode interpretar-se esta situação com o facto de “poderem ter sido as pessoas com ensino secundário a trabalhar mais durante este período”, tendo mais contactos.

Os primeiros resultados revelaram também que houve mais presença de anticorpos nos homens (4,2 por cento). A baixa circulação do vírus na população portuguesa, disse a coordenadora, estará “muito provavelmente relacionado com as medidas de saúde públicas instituídas logo no início da pandemia”.

Embora os anticorpos nos dêem algum nível de proteção, Ana Paula Rodrigues disse que, “pelo princípio da precaução em saúde pública, e uma vez que se trata de uma infeção pouco conhecida, devem manter-se as medidas de proteção, seja a nível individual, seja a nível coletivo”.

“Este primeiro estudo serológico teve um objetivo e uma necessidade muito clara de ter informação rápida, de maneira a termos uma linha de base e uma informação útil para a tomada de decisão. Foi isso que norteou a metodologia de escolha da amostra (…) e usámos uma metodologia que é usada noutros inquéritos serológicos”, acrescentou Ana Paula Rodrigues, explicando que estes inquéritos devem continuar para avaliar a evolução dos anticorpos na população.

A prioridade do Instituto Nacional Ricardo Jorge nesta altura será “manter esta vigilância do nível de anticorpos na população portuguesa”, ou seja, “repetir estudos deste género com amostras de dimensão diferente”.

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