Saúde

Apple, Disney e Netflix vão pagar viagens a quem queira abortar legalmente

Supremo Tribunal dos EUA anulou o acesso ao direito à interrupção legal da gravidez no país. Empresas unem-se contra a decisão.
Um passo atrás.

Na passada sexta-feira. 24 de junho, os Estados Unidos da América deram um passo atrás no direito ao aborto legal. Os juízes do Supremo Tribunal do país aprovaram a reversão da decisão do caso Roe Vs. Wade, abrindo assim a porta a que a prática venha a ser proibida em muitos estados norte-americanos.

A decisão do Supremo permite que cada estado possa manter ou proibir o direito ao aborto. O presidente dos EUA, Joe Biden, lamentou e criticou a decisão, sublinhando que nenhum funcionário administrativo pode impedir as mulheres de viajarem para estados onde possam interromper a gravidez.

Já muitas vozes se têm levantado contra a decisão e as empresas não foram exceção. Apple, Walt Disney,  JPMorgan Chase, a Netflix e a Meta norte-americanas anunciaram que vão oferecer aos seus funcionários o reembolso do custo da viagem para terem acesso ao procedimento de interrupção de gravidez legal.

A Apple foi uma das primeiras a agirem. A empresa tecnológica alterou em setembro o seguro de saúde de modo a que as despesas médicas relacionadas com o aborto sejam suportadas. E vai também pagar os custos das viagens.

Também num comunicado, a Walt Disney reconheceu o impacto da medida e afirmou estar empenhada em prestar amplos serviços médicos aos seus funcionários independentemente do local onde moram, reembolsando as viagens de planeamento familiar.

Por sua vez, a Netflix revelou à revista “Variety” que os seus funcionários em regime full-time no país têm um benefício “perpétuo” de 10 mil dólares (cerca de 9,5 mil euros) para reembolsar o custo da viagem para tratamentos de cancro, transplantes, tratamentos de mudança de sexo ou interrupção de gravidez, através do seguro da empresa.

O JPMorgan, segundo a nota obtida pela rede de televisão CNBC, ofereceu aos seus funcionários benefícios adicionais no seguro de saúde para terem acesso a serviço que exigem viagens para fora do estado e especificamente para um “aborto legal”.

A Uber, diz o “The New York Times”, alterou o seguro de saúde dos funcionários para incluir “uma série de benefícios para a saúde reprodutiva, incluindo a interrupção da gravidez”. A empresa Reddit, que dá o mesmo nome à plataforma digital, também disse que os seus funcionários poderiam receber uma bolsa para cobrir viagens para procedimentos médicos, incluindo-se aqui abortos.

A Meta —empresa que detém o Facebook e Instagram — referiu que está a avaliar a possibilidade de reembolsar o custo das viagens para fora dos estados para aceder a serviços “reprodutivos” na medida permitida por lei, mencionando as “complexidades jurídicas” do assunto.

Outras empresas de peso, como Tesla, Amazon, Paramount, Starbucks, Levi’s, Yelp, Buzzfeed, Lyft, ou Mastercard afirmaram qur também vão oferecer reembolsos e criticaram a revogação das proteções federais ao aborto.

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