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Saúde

As algas castanhas que invadem os areais no verão, afinal são ricas numa supervitamina rara

Num grande avanço científico, uma equipa de investigadores do Algarve conseguiu transformar a espécie invasora em vitamina K.

Em 2025, apareceu em praias do Algarve, Cascais, Açores, entre outras, sendo apontada pelos banhistas como um pesadelo. A alga castanha tem mudado as idas à praia, invadindo os areais e dificultando os mergulhos. Desenvolve-se rapidamente, danifica fundos rochosos, compromete a biodiversidade e também é tornou-se uma preocupação para as autarquias no período de verão, visto que pode afastar portugueses e turistas.

Agora, os investigadores do Centro de Ciências do Mar do Algarve começaram a procuras novas formas de aproveitarem esta espécie e darem-lhe alguma utilidade. “Enquanto não se encontra o calcanhar de Aquiles destas algas, tentamos trabalhar na tentativa de dar-lhes uso”, diz a bioquímica Carla Viegas à “TSF”.

Num dos laboratórios, a equipa já conseguiu extrair e purificar vitamina K, a partir destas algas, o que significa um avanço científico no País. Afinal, “não existe nenhuma vitamina K1 natural no mercado, tudo o que existe é produzido sinteticamente”, garante.

Segundo a especialista, esta vitamina pode ter várias aplicações, desde suplementos alimentares à incorporação em alimentos. “É um protetor do nosso sistema cardiovascular e ósseo, mas também um anti-inflamatório e um antioxidante. É uma das vitaminas menos conhecidas do público em geral, mas é uma supervitamina.”

De acordo com a Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora, definida numa portaria conjunta dos Ministérios do Ambiente e da Agricultura, a espécie asiática tem vindo “a alastrar de forma preocupante na costa portuguesa”. Em julho de 2022, foi também incluída na lista de espécies exóticas invasoras que suscitam preocupação na União Europeia. Além de ter sido detetadas em inúmeras praias portuguesas, já chegou aos areais em Espanha.

Este problema já tem pelo menos duas décadas, tendo começado no sul de França e no Mediterrâneo. Com o aquecimento das águas, acabaram por cobrir também o norte de África e Gibraltar, tendo chegado depois a Portugal.

Leia o artigo da NiT para conhecer melhor este problema.

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