Em Portugal, a escolha do jardim de infância passa por vários critérios. Os pais valorizam especialmente a localização, a segurança, o plano educativo, a alimentação e os horários, enquanto os educadores privilegiam a organização, as regras e, muitas vezes, as atividades que podem fazer indoor. Já na Dinamarca, por exemplo, há um método que as creches e as escolas acreditam ser essencial para o bem-estar dos miúdos: fazê-los brincar ao ar livre, na natureza, mesmo quando está frio ou depois de chover.
Os estímulos exteriores incentivam a liberdade e a imaginação, longe de ecrãs e distrações passivas. “Obriga” os miúdos a brincar uns com os outros, a conhecer cheiros, texturas, cores que a natureza oferece — e nem a sujidade é um problema. Aliás, estas escolas acreditam que sujar-se faz parte da rotina, contrariando a ideia de que é um problema, e acreditando que se torna um benefício para os pequenos.
Os miúdos são, por exemplo, incentivados a saltar em poças, a brincar na lama e a pôr as mãos na terra, sem restrições. Para os educadores dinamarqueses, esse tipo de contato direto com a natureza estimula a criatividade, ajuda-os a melhorar as capacidades sensoriais e favorece um desenvolvimento mais completo, livre e feliz. A saúde deles agradece.
Os chamados “forest kindergartens” (jardins de infância na floresta, em tradução livre), que apareceram nos anos 50, estão cada vez mais famosos no norte da Europa. São creches que recebem miúdos até ao nível pré-escolar e que funcionam principalmente ao ar livre, mesmo quando as temperaturas são muito baixas.
Não é por acaso que a Dinamarca está em segundo lugar no ranking de países mais felizes do mundo, em 2025, segundo o “World Happiness Report“.
Ver esta publicação no Instagram
Um estudo feito noutro país nórdico, Finlândia, em 2020, demonstrou melhorias no sistema imunitário de miúdos entre três e cinco anos quando os espaços de recreio foram transformados para incluir relva natural, vegetação rasteira e plantas, em vez das tradicionais superfícies duras como cascalho ou cimento.
Em apenas 28 dias, os miúdos que passaram a brincar em áreas com natureza à volta, registaram um aumento da diversidade de microrganismos benéficos na pele e no intestino, o que se traduz num sistema imunitário mais forte.
Na base desta abordagem está também o friluftsliv, o conceito nórdico de que a NiT já falou, que defende que o ar livre é essencial para o equilíbrio emocional e físico.
Outro exemplo, é o da norte-americana Jessica Joelle Alexander, autora de “Educar à Maneira Dinamarquesa”, que se mudou para a Dinamarca e contou no seu livro o modelo pedagógico adotado no país, que valoriza a empatia, positividade e o tempo passado ao ar livre.

LET'S ROCK







