Após ultrapassar-se a barreira dos 40 e 50 anos, os cuidados com a pele deixam de ser apenas uma questão estética e começam a ser uma estratégia de manutenção da saúde cutânea. “Começamos a ter uma pele tendencialmente mais seca porque, com a idade, vai havendo perda de ácido hialurónico, das gorduras constitucionais da barreira cutânenea e também influência acumulada da exposição solar”, conta a dermatologista Marta Ribeiro Teixeira à NiT.
A rotina diária tem, então, de ser ajustada. “O foco deve estar em proteger e poupar o colagénio que ainda existe, porque é isso que mantém a firmeza e a estrutura da pele”, diz.
De acordo com a especialista, esta fase exige uma abordagem mais consciente e progressiva. “Há alterações graduais que devem ser tidas em conta e, muitas vezes, é preciso ajustar a rotina.” De manhã, deve começar sempre com uma limpeza suave, que pode ser feita com água micelar, espuma ou creme de limpeza, desde que não deixem a pele irritada ou desidratada. Este passo serve para “remover restos de produtos da noite e preparar a pele para receber os ativos seguintes”, explica.
Depois, entra uma das etapas mais importantes das práticas de skincare: o sérum antioxidante. “A vitamina C é muito importante. É uma das substâncias mais estudadas na dermatologia e com mais provas de eficácia.” Estes produtos ajudam a combater o stress oxidativo e os radicais livres, responsáveis por danificar as células e acelerar a perda de colagénio, o que contribui para o aparecimento de manchas. “A vitamina C também dá um glow muito bonito à pele e ajuda a uniformizar o tom.”
A rotina matinal deve terminar sempre com hidratação e proteção solar. “A hidratação pode ser mais leve, mas o protetor é não negociável em qualquer idade”, sublinha. O objetivo não é apenas tratar, mas também evitar que o colegénio continue a desaparecer.
À noite, a lógica muda. “A pele é reparada durante o período noturno e, a partir dos 40 anos, começa também a perder mais gorduras boas, por isso a hidratação deve ser mais profunda.” Em termos de ativos, destaca os retinoides como um dos pilares mais importantes. “São substâncias muito estudadas que estimulam a renovação celular e a produção de colagénio”, refere, acrescentando que ajudam a melhorar a firmeza, as rugas finas e a uniformizar o tom da pele. “Deve começar sempre de forma progressiva, por exemplo duas vezes por semana, aumentando gradualmente a frequência.”
Outro grupo de ingredientes relevante na skincare são os péptidos, que também ajudam a regenerar a pele enquanto dorme. É nesta fase que entra uma hidratação mais rica. “Um creme com ácido hialurónico e ceramidas ajuda a restaurar a barreira cutânea e faz com que a pele tolere melhor os ativos mais potentes”, acrescenta Marta Ribeiro Teixeira. A ordem ideal de uma rotina varia muito e o melhor é sempre ter ajuda de um profissional. “Não se devem seguir por influencers porque cada pele é diferente.”
A dermatologista também deixa alguns alertas para erros comuns que muitas mulheres cometem. O maior é pensarem que podem saltar a hidratração por terem acne em idade adulta. Muitas acabam por usar produtos que secam demasiado a pele e esquecem-se da importância de manter o equilíbrio.
Outro problema é a tendência para apostarem primeiro em procedimentos estéticos e só depois no básico. “Podem ser úteis, mas não fazem o essencial, que é ter uma rotina de skincare consistente”, refere. O estilo de vida também tem um impacto direto na pele — fumar, não fazer exercício físico e não dormir bem são os maiores riscos.
Mesmo assim, Marta Ribeiro Teixeira admite que estes tratamentos, como os bioestimuladores e skin boosters, podem ser um bom reforço, visto que ajudam a estimular o colagénio. “O ideal é combinar uma rotina de cuidados em casa com procedimentos de medicina estética quando fazem sentido.”
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