Saúde

As medidas explícitas de segurança da DGS que foram ignoradas em Alvalade

O “risco acrescido” de transmissão de Covid-19 obrigou a polícia a atuar perante milhares de adeptos reunidos, muitos sem máscara.
Os confrontos fizeram vários feridos

Durante a tarde desta terça-feira, 11 de maio, milhares de adeptos reuniram-se nas imediações do estádio do Sporting, na antecipação da possível conquista do título de campeão nacional de futebol. A aglomeração aconteceu sem grandes cuidados, com grupos que não cumpriam distanciamento e centenas de pessoas sem máscaras. 

Ao anoitecer, a festa transformou-se num violento confronto entre polícia e adeptos. Entre arremesso de pedras e garrafas, mas também de disparos de balas de borracha — que atingiram inclusivamente um repórter da TVI —, contam-se já vários feridos. Uma situação que foi transmitida em direto nas televisões e nas rede sociais.

Antecipando o que poderia acontecer, durante a tarde, a Direção-Geral da Saúde alertou, numa nota enviada à agência Lusa, para o “risco acrescido para a saúde pública” que representariam as aglomerações da noite de festa. Por isso mesmo, a autoridade da saúde terá emitido “um conjunto de recomendações para as autoridades locais e forças policiais”, que acabariam por atuar já ao cair da noite, antes do final do jogo.

A tentativa de conter as multidões não funcionou e os adeptos acabaram por ripostar de forma violenta, com avanços e recuos que resultaram em diversas agressões. A intervenção terá tido como objetivo garantir o cumprimento das regras que estão ainda em vigor, como o distanciamento social, o uso de máscara e a proibição do consumo de álcool na rua. Tudo situações que se verificaram durante a tarde e noite, junto ao estádio.

Ainda durante o dia, a Polícia de Segurança Pública fez um apelo aos adeptos para que cumprissem as regras sanitárias durante os festejos. “Insistentemente, produziremos avisos, quer a PSP, quer o promotor [Sporting], para que as pessoas mantenham distanciamento físico e máscara. Deixamos muito claro que existirá polícia ao longo do percurso e sempre de forma visível, próximos do cidadão”, revelou o superintendente Domingos Antunes. Foi também pedido que não fosse utilizada pirotecnia, mas a verdade é que desde o final da tarde que os engenhos se ouviram recorrentemente nas imediações do estádio.

A inevitável festa levou também a que a Câmara Municipal de Lisboa tenha criado um plano para os festejos, em conjunto com a DGS, a PSP, a Polícia Municipal e a Proteção Civil. “É muito melhor que alguma coisa esteja preparada do que deixarmos livremente e espontaneamente que ocorram fenómenos de comemoração, porque sabemos que será muito difícil conseguir neutralizar essas manifestações”, revelou o secretário de Estado do Desporto e da Juventude, citado pelo “Sol”.

Terminado o jogo e caso o Sporting se sagre campeão, haverá lugar a uma festa pela cidade, onde a equipa desfilará, sem paragens, num autocarro panorâmico. “Sairemos do Estádio José Alvalade, entraremos pelo Campo Grande, Entrecampos, Avenida da República, Avenida Fontes Pereira de Melo e Marquês [de Pombal], fazendo depois o percurso de forma inversa”, revelou a PSP sobre o plano desenhado com a autarquia e o Sporting, todos “empenhados em que seja uma festa” e com o “dever acrescido de não tornar a festa num pesadelo”.

Perante os confrontos, a festa está agora em risco, revelou o comissário da PSP Artur Serafim à “RTP”, que confirmou estar a ser analisada a possibilidade de o autocarro panorâmico não fazer o desfile previsto.

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