Saúde

Aumento do número de casos de Covid-19 em Portugal pode ser um “reflexo do Natal”

Especialistas dizem que o levantamento de restrições na semana do Natal pode estar relacionado com a subida de novos doentes.
A culpa pode ser do Natal.

O Natal pode estar por trás do facto de, nos últimos três dias, os números de novos casos de covid-19 no nosso País terem disparado. Depois de terem sido registados mais de seis mil casos no passado dia 30 de dezembro e de o último dia do ano ter marcado o recorde de novos casos — com 7.627 novas infeções em 24 horas —, os números desta sexta-feira, 1 de janeiro não são melhores: mais 6.951 casos.

Numa análise feita a estes números para a “Lusa”, o epidemiologista Filipe Froes refere que este crescimento pode “ser um reflexo do período do Natal”. Esta foi uma altura em que, diz o especialista, “muitas pessoas desvalorizaram as medidas de prevenção e controle, como o uso de máscara e o evitar ajuntamentos”.

“O Natal foi há uma semana e ainda poderá haver um acréscimo de números nos próximos dias e as infeções que possam ter ocorrido no Natal, algumas ligeiras ou assintomáticas, podem dar nos dias subsequentes cadeias de transmissão”, avisa Filipe Froes.

No mesmo sentido — também em declarações à “Lusa” — o virologista Pedro Simas diz ter dúvidas que os números elevados registados nos últimos dias sejam uma consequência da diminuição do número de testes realizados nos dias festivos. “Este aumento que está a acontecer pode ser devido à não testagem na altura do Natal, o que eu duvido. Se não tiver esse efeito, deve-se ao maior número de contactos, são as duas possíveis explicações. O facto de ser tão grande pode dever-se ao planalto que é muito alto”, defende.

O virologista explicou à “Lusa” que, atualmente, Portugal tem um “planalto na média diária dos 3200 casos” o que, no seu entender, “é muito alto, é 10 vezes maior do que o planalto do verão, ou seja, nunca houve um risco tão grande de transmissão” do vírus.

Tendo em conta estes números, os dois especialistas assumiram, em declarações à “Lusa”, que “os primeiros dias de janeiro vão apresentar números elevados de novos casos”. Filipe Froes prevê mesmo uma média superior a 8.000 casos diários.

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