Áurea nasceu há 10 meses, depois de uma gravidez que terminou num parto sem complicações. Durante as primeiras semanas, nada fazia prever que a vida da bebé e dos pais iria mudar por completo. As primeiras alterações surgiram entre o primeiro e o segundo mês de vida. “Percebemos que algo estava errado quando o corpo dela começou a ter umas manchas negras no corpo cada vez mais frequentes”, conta Pedro Dominik, o pai, à NiT.
A família levou-a ao hospital e as análises ao sangue revelaram que se tratava de leucemia. A menina foi encaminhada para o Hospital de São João, no Porto, e depois para o IPO, onde recebeu o diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda de células B, quando tinha apenas dois meses. O momento em que a doença passou a ter nome trouxe sentimentos difíceis de conciliar. “Senti muita tristeza, impotência e desilusão, porque não sei de onde isto veio. Mas o maior sentimento era sempre esperança”, admite.
A leucemia linfoblástica aguda é um cancro do sangue e da medula óssea que afeta os glóbulos brancos chamados linfoblastos. Desde fevereiro, a vida de Áurea tem sido passada dentro de um quarto de hospital. “Mesmo assim, ela brinca, dorme, come e gosta de ver televisão. Mas nós não conseguimos ter uma vida normal”, acrescenta. A bebé tem duas irmãs por parte da mãe, Patricia Bastos, de 26 anos, que está desempregada. Pedro vive em Vila do Conde e trabalha na área dos semicondutores.
O caso tem uma grande dificuldade: a necessidade de reduzir a presença da doença para valores que permitam avançar para um transplante. “São valores extremamente apertados de 0,01. Ela está com níveis de leucemia de 0,028.”
A bebé está a fazer um tratamento desde fevereiro, depois de já ter passado por todas as soluções possíveis para a sua doença. O procedimento atual foi desenvolvido a partir das células de Áurea, que se juntam a um medicamento que é depois introduzido no organismo. “Espera-se que isto resulte porque se os níveis não baixarem, então já se fez tudo por ela e não há nada mais que consigamos fazer”, lamenta.
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Os médicos mantêm a expectativa de que esta última abordagem à leucemia possa resultar, mas ainda não conseguem avaliar o efeito final. “É uma doença imprevisível e não conseguem dar esperança a ninguém. Esperam só que resulte.” Para Pedro Dominik, também de 26 anos, uma coisa é certa: “Ela é muito forte. Acredito desde o início que ela vai superar seja o que for.”
A resiliência também a tem ajudado a lidar com os efeitos secundários do tratamento. Teve febre, mas não apresentou as complicações hepáticas que poderiam surgir. “Ela aguenta muito bem o fármaco. É muito rija.”
O próximo passo será um transplante de medula óssea num hospital em Barcelona. A família vai ter de ir a Espanha porque em Portugal nenhum dos centros contactados aceitou realizar o procedimento devido à idade da menina. Por enquanto, não há uma data definida para a operação porque Áurea ainda não reúne os critérios necessários para avançar. Além disso, os pais ainda não sabem se há um dador compatível.
Esta é a etapa necessária para impedir que a doença volte. Isto porque mesmo que os níveis de leucemia chegassem a zero, continuaria a existir risco de regresso da doença. “A única salvação é mesmo com o transplante.”
Enquanto aguardam, os pais decidiram transformar a história da filha num apelo a outras famílias. Pedro pede que mais pessoas se registem como dadoras de medula óssea e que também façam doações de sangue. “É um pequeno super poder que toda a gente consegue ter e que pode ajudar muitas pessoas.”
Para ajudar Áurea, tem um pedido simples. “Só podemos rezar por ela. Um ato de fé consegue chegar a todo o lado.”








