Saúde

Beber álcool todos os dias aumenta a probabilidade de ter cancro na cabeça e no pescoço

Esta doença oncológica é uma das mais comuns na Europa. Estima-se que venha a afetar 200 mil pessoas em dez anos.
A prevenção é o melhor tratamento.

Até 2030 cerca de 587 mil pessoas no mundo vão perder a vida devido ao cancro da cabeça e pescoço. Estes números alarmantes foram divulgados pela Global Cancer Observatory 2020, uma plataforma que agrega dados estatísticos relativos à doença e que tem em conta o desconhecimento da população da patologia e dos principais fatores de risco: álcool e tabaco.

O cancro de cabeça e pescoço é uma designação utilizada para agrupar um conjunto de patologias oncológicas que se desenvolvem nesta zona do corpo: na laringe, na cavidade oral, nas glândulas salivares, na pele da cara e do couro cabeludo.

É o sexto tipo de tumor mais comum e o oitavo que mais vítimas faz na Europa. Mais de metade dos casos são diagnosticados já em fases avançadas, sendo que, em 66 por cento das situações, o tumor provoca a morte após cinco anos. No entanto, se for detetado em fase inicial há uma grande probabilidade de sobreviver.

O álcool e o tabaco são alguns fatores de risco que aumentam a probabilidade de vir a desenvolver a doença. Ana Joaquim, médica oncologista em representação do Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço, aqui citada pelo “Jornal de Notícias”, alerta: “O consumo de mais de três unidades de álcool por dia entre os homens e mais de duas entre as mulheres faz aumentar o risco de desenvolver este tipo de cancro. Em relação ao tabaco, acredita-se que quem fuma tem 15 vezes mais probabilidade de desenvolver cancro da cabeça e pescoço”.

É importante diminuir os fatores de risco e estar atentos a possíveis sintomas, tais como caroços no pescoço; alterações da voz (rouquidão); dificuldade ou dor persistente ao engolir; aparecimento de sangue na saliva ou na boca; dor persistente num ouvido não motivada por outra doença ou alterações na pele da face ou do pescoço. “Outros sinais de alerta podem ser o aparecimento de manchas brancas ou vermelhas na boca, feridas na boca que não cicatrizem, tumefação ou ferida do maxilar que cause má adaptação ou desconforto da prótese dentária, infeção crónica dos seios peri-nasais que não responde à antibioterapia, hemorragias nasais de repetição, obstrução nasal permanente de instalação recente, dores de cabeça persistentes, aumento de volume das glândulas salivares ou a paralisia de músculos da face”, pode ler-se na página dedicada a esta doença no site do Hospital da CUF.

“Quando diagnosticado e tratado precocemente, o cancro da cabeça e pescoço pode ter um bom prognóstico, mas muitas pessoas continuam a sofrer as terríveis consequências desta doença por não compreenderem os sinais e sintomas que o corpo lhes apresenta”, concluiu Ana Joaquim.

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