Saúde

Bebidas açucaradas (naturais ou com adoçantes) aumentam risco de problemas cardíacos

O estudo analisou quase 202 mil pessoas e concluiu que quase todo o tipo de bebidas com açúcar contribuiu para o aumento da doença.
São opções prejudiciais à saúde.

Já se sabia que os refrigerantes eram bebidas muito pouco saudáveis, sobretudo devido aos seus elevados níveis de açúcar. Contudo, um estudo publicado em março na revista Circulation: Arrhythmia and Electrophysicalology, conclui que beber dois ou mais litros por semana de bebidas adocicadas artificialmente aumenta em 20 por cento o risco de um batimento cardíaco irregular — chamado fibrilhação auricular (A-fib), vulgarmente conhecido por “tremor” ou “vibração” —, comparativamente a quem não bebe nenhuma. 

Por sua vez, ingerir um número semelhante de bebidas com açúcar adicionado aumenta o perigo da doença em dez por cento, enquanto cerca de 120 mililitros de sumos puros sem adições (de laranja ou naturais), foi associado a uma ameaça de apenas oito por cento. 

O estudo analisou quase 202 mil pessoas que participaram num amplo banco de dados biomédico — o UK Biobank. As idades da amostra variaram entre os 37 e 73 anos, sendo mais da metade mulheres. A fibrilhação auricular é a principal causa de acidente vascular cerebral nos Estados Unidos e tem vindo a aumentar.

“Além disso, este género de acidentes vasculares cerebrais tendem a ser mais graves do que os acidentes com outras causas subjacentes”, revelam os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA.  O problema pode causar coágulos sanguíneos, insuficiência cardíaca e pode ainda aumentar o risco de ataque cardíaco, de demência e de doença renal. “Todas essas doenças são provavelmente ameaças de longo prazo”, explica Dr. Gregory Marcus, professor de medicina da Universidade da Califórnia.

Quase 40 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com fibrilhação auricular. No entanto, de todas essas, seis milhões encontram-se nos Estados Unidos, de acordo com a Heart Rhythm Society. Isto significa que muitas delas experienciam no seu dia a dia dores no peito, palpitações, falta de ar e fadiga, embora em certos casos possa ser uma situação assintomática. Uma vez detetada, a condição pode ser tratada com medicamentos, mudanças no estilo de vida e, em situações mais extremas, cirurgias para retardar ou restaurar o ritmo normal do coração.

No entanto, os números no país começam a ser ainda mais alarmantes. Estima-se que cerca de 12 milhões de norte-americanos terão A-fib até 2030. “A idade é um dos fatores de risco mais importantes, por isso, com o envelhecimento da população, a doença está a tornar-se mais comum”, confirma Marcus.

Como é já crónico nos Estados Unidos, a obesidade revela-se novamente um dos contribuintes para o aumento dos números. Além deste, existem outros fatores, como a hipertensão, diabetes, doença renal crónica, tabagismo e consumo de álcool. “Sabe-se que o risco de Fib-A está associado à diabetes tipo 2, ao consumo excessivo de álcool (comumente chamado de coração de férias), bem como ao uso de drogas ilícitas (cocaína)”, afirmou Tom Sanders, professor de nutrição e dietética do King’s College London.

A investigação concluiu que os maiores consumidores de bebidas adoçadas artificialmente eram sobretudo mulheres, mais jovens, com mais peso e maior prevalência de diabetes tipo 2. Aqueles que bebiam mais bebidas açucaradas eram sobretudo homens, mais jovens, pesavam mais e tinham maior prevalência de doenças cardíacas.

As pessoas que bebiam bebidas adoçadas com açúcar e sumo puro eram “mais propensas a ter uma ingestão maior de açúcar total do que aquelas que bebiam bebidas adoçadas artificialmente”. Existem ainda algumas ressalvas a ter em conta, considerando que os resultados irão sempre depender da complexidade das dietas e também porque algumas pessoas podem beber mais do que um tipo de bebida, explicou o autor principal do estudo, Dr. Ningjian Wang, professor no Shanghai Ninth People’s Hospital e na Shanghai Jiao Tong University School of Medicine.

“No entanto, com base nessas descobertas, recomendamos que as pessoas reduzam ou até mesmo evitem bebidas adoçadas artificialmente e açucaradas sempre que possível”. Não é certo que, até mesmo bebidas com baixo teor de açúcar e poucas calorias, adoçadas artificialmente, sejam saudáveis. “Podem representar riscos potenciais para a saúde”, conclui.

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