Saúde

Biocientista cria aplicação para detetar doenças através de uma selfie

Chama-se MI.BO, foi apresentada na Startup de Santarém e tem como objetivo permitir que as pessoas vivam mais tempo de forma saudável.
Estará disponível a partir de 2023.

“30 segundos para avaliar o estado da sua mente e corpo. 30 minutos para assumir o controlo da qualidade e longevidade da sua vida. 365 dias de exercício físico específico para atingir os seus objetivos”. É este o desafio ambicioso da MI.BO.

Com sede na Startup Santarém, incubadora de empresas gerida pela NERSANT, a MI.BO. assume-se como uma plataforma digital de bem-estar que utiliza a ciência, a tecnologia e a inteligência artificial para desenvolver produtos ligados à saúde, que melhorem a condição física, aumentem a imunidade, reduzam os riscos de saúde e contribuam para a longevidade.

Aseem Gupta, um biocientista indiano, apresentou na terça-feira, 8 de novembro, esta aplicação que detetará potenciais doenças através de uma selfie. O fundador da MI.BO tem vindo a desenvolver o projeto nos últimos anos com o objetivo de permitir que as pessoas vivam mais tempo de forma saudável.

“Hoje em dia a nossa vida é mais longa, mas há um hiato entre o tempo de vida e o período em que vivemos com saúde. Atualmente, este hiato é de 9,2 anos. Assim, nos últimos anos, apesar de vivermos mais, sofremos bastante e a maior parte deste sofrimento é completamente desnecessário”, disse em entrevista à Agência Lusa, citada pelo “Correio da Manhã”.

Aseem Gupta afirmou que, após um episódio dramático na sua vida, sentiu a necessidade de “habilitar as pessoas a viverem mais tempo de forma saudável”. Criou, então, uma aplicação que, através de uma foto, consegue detetar se a pessoa corre o risco de vir a sofrer alguma das doenças atualmente responsáveis pela morte de 21 milhões de pessoas em todo o mundo, como ataque cardíaco, acidente vascular cerebral ou diabetes.

“A primeira coisa é o diagnóstico. Hoje temos de fazer exames, ir ao hospital para o médico poder dizer se se é diabético, ou se tem a tensão alta”. São informações que a aplicação disponibiliza em minutos, garante.

Sabendo como está a saúde do utilizador, a MI.BO — que significa mente e corpo, numa abordagem da pessoa como um todo — propõe-se a disponibilizar um programa para melhorar a condição física e o bem-estar através de um sistema de eletroestimulação incorporado na roupa do dia a dia, que exercita o corpo durante as atividades diárias de acordo com a informação específica de cada pessoa. Para isso, o profissional quer produzir a aplicação e comercializá-la em conjunto com roupas inteligentes que permitem exercitar o corpo.

A empresa, fruto do investimento de dois empreendedores indianos — Aseem e Armaan Gupta, pai e filho —, foi a primeira a ser criada na Startup Santarém, no âmbito do Startup Visa, um programa de acolhimento de empreendedores estrangeiros que pretendam desenvolver um projeto de empreendedorismo e/ou inovação em Portugal. Foi também um dos “20 produtos mais interessantes” criados por startups selecionados para apresentação na Web Summit, que se realizou no início de novembro em Lisboa.

Em setembro, a A MO.BI assinou um protocolo com o Instituto Politécnico de Santarém para que as escolas de Saúde, Desporto e Tecnologia e Gestão continuem a desenvolver uma tecnologia que foi já testada em 35.000 pessoas, de acordo com o próprio.

O projeto está em fase de aprovação, mas vai entrar em testes piloto. De momento, estão a contactar empresas e instituições que se queiram constituir como parceiras para lançar os produtos no mercado em 2023. Entre os potenciais parceiros, foram apontadas entidades de saúde pública, os municípios, as seguradoras e os empregadores, mas Aseem Gupta salienta que “todos têm interesse em que as pessoas tenham melhor saúde”.

“Se, por exemplo, o presidente da Câmara de Santarém quiser saber o estado de saúde da sua população, podemos revelá-lo em cinco dias. Dizemos qual a percentagem da população em risco de sofrer ataque cardíaco nos próximos cinco a 10 anos e qual a percentagem em risco de diabetes. Também a saúde pública pode ter acesso a esta informação e usá-la”, afirmou.

Para a comercializar, será disponibilizada uma aplicação para descarregar nos telemóveis e que fará um check-up à saúde por mês, mediante uma subscrição anual de 12€, que pode ser adquirida individualmente ou por empresas e entidades que as cedem gratuitamente aos trabalhadores, aos clientes ou a grupos populacionais. Depois de Portugal, a empresa prepara-se para entrar no mercado europeu.

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