Saúde

Boas notícias: há um novo medicamento eficaz contra o cancro retal — já curou doentes

Um passo inédito para a medicina. Os 12 pacientes diagnosticados entraram em remissão em seis meses após o início do tratamento.
Uma descoberta promissora.

Os cancros do cólon e do reto são dois dos mais dos cancros com maior prevalência em Portugal, tantos nos homens e nas mulheres. Segundo a Liga Portuguesa contra o Cancro estas patologias tem muita probabilidade de se espalhar para os órgãos mais próximos, como o fígado. Porém, agora existe um novo motivo de esperança para os pacientes diagnosticados com cancro retal.

Uma equipa de investigadores norte-americanos descobriram uma cura para esta doença específica. O medicamento já passou por ensaios clínicos e os resultados foram um sucesso. O estudo, publicado no “The New England Journal of Medicine” no passado domingo, 5 de junho, envolveu 12 pacientes diagnosticados com cancro retal.

Todos entraram em remissão após seis meses de tratamento com o fármaco Dostarlimab. Os exames realizados depois do processo terapêutico — ressonâncias magnéticas, TACs, endoscopias e biópsias — não revelaram sinais dos tumores.

A investigação liderada por vários oncologistas usou pela primeira vez este medicamento para tratar este tipo de cancro, mas este já tinha sido utilizado no tratamento de células cancerígenas do endométrio (que reveste as paredes do útero). Os médicos avaliaram agora o impacto do fármaco nos tumores localizados no reto e os resultados são muito promissores. Os investigadores realçam que, até o momento, o cancro retal dos pacientes envolvidos na investigação desapareceu na totalidade.

“Foi a primeira vez que isto aconteceu na história”, anunciou o oncologista Luis Diaz Jr., responsável pelo estudo, ao “The New York Times”. Declarações corroboradas por outro especialista da Universidade da Califórnia, em São Francisco, que não esteve envolvido no estudo. Alan P. Venook disse ao mesmo jornal: “uma remissão completa em cada um dos 12 pacientes é inédita”.

O número reduzido de participantes no ensaio clínico deve-se ao facto de terem sido escolhidos doentes com tumores com uma mutação genética. Mais especificamente, uma deficiência no mecanismo de reparação de emparelhamento do DNA e só está presente em 5 a 10 por cento dos que sofrem com esta doença. Esta alteração no genoma faz com que os tumores não respondam tão bem aos tratamentos convencionais de quimio e radioterapia.

A mesma mutação torna as células do cancro mais vulneráveis à resposta imunitária, sobretudo se provocada por imunoterapia, exatamente o mecanismo de ação do Dostarlimab. Funciona alterando a ação do próprio sistema imunitário, direcionando-o para atacar as células cancerígenas/tumorais.

Os tratamentos mais comuns, que normalmente antecedem a cirurgia de remoção do tumor têm um efeito nefasto nos pacientes: “podem sofrer disfunção do intestino, incontinência, disfunção sexual”, entre outros efeitos, explica a oncologista Andrea Cercek, uma das principais autoras do novo estudo.

Para já, os efeitos secundários deste medicamento agora avaliado são considerados “moderados” e incluem vermelhidão, prurido, fadiga e náuseas, que afetaram cerca de três quartos dos pacientes. Quase dois anos depois de administrado o fármaco, os pacientes ainda não têm sinais de células cancerígenas.

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