Saúde

Cansada e incapaz de mexer as pernas. O relato de uma fisioterapeuta vacinada

Saudável e sem alergias, Jéssica Sousa perdeu momentaneamente a sensação nas pernas — e acumulou efeitos secundários da vacina da Pfizer.
Jéssica sentiu vários efeitos secundários

O telefone tocou: havia uma dose a mais da vacina e a toma iria ser antecipada. Jéssica Sousa não hesitou e aproveitou. Dois minutos depois da injeção, surgiram os primeiros efeitos indesejados.

A audição foi a primeira a ser afetada. “Parecia que estava num túnel”, conta à NiT a fisioterapeuta de 27 anos. Quando deu por si, tinha a equipa de enfermagem toda à sua volta. De repente, percebeu que não conseguia sequer mexer as pernas.

O caso de Jéssica é pouco comum, mas é um dos relatos que têm surgido de alguns efeitos secundários, quase todos eles contemplados nas fichas entregues no momento da vacinação. Porém, a incapacidade de mexer as pernas foi um detalhe que surpreendeu a equipa que estava no local.

A fisioterapeuta da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra não estava de todo nervosa. Já tinha falado com pessoas vacinadas e tinha tudo corrido bem. Por isso encarou a primeira dose da vacina da Pfizer como algo perfeitamente normal.

A vacinação feita na quinta-feira, 21 de janeiro, acabou por ser um pouco mais atribulada do que esperava. Os sintomas começaram a surgir ao fim de dois minutos. A intervenção dos enfermeiros evitou o desmaio. As tensões “estavam altíssimas”, sobretudo para quem está habituada a ter tensão baixa.

“A reação de não sentir as pernas foi uma novidade para toda a gente. O que me foi dito na altura é que poderia ter sido uma reação vagal do meu sistema”, conta.

Assim que a vacina da Pfizer chegou a Portugal, foram divulgados os efeitos colaterais mais comuns detetados nos participantes dos ensaios clínicos. A mais comum era a reação de dor no local da administração da vacina, que afetou mais de 80 por cento; segue-se a fadiga verificada em 62 por cento; dor de cabeça em 55 por cento; dores no corpo, calafrios, dores nas articulações e finalmente febre em apenas 14 por cento.

Tem 27 anos e trabalha na Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra

No caso de Jéssica, já recuperada da sensação nas pernas, atingiu-a um “cansaço gigante”, uma sensação de “não dormir quase há uma semana”. “Disseram-me que o cansaço era normal e que iria senti-lo ate ao final do dia”, explica.

Menos de uma hora depois, chegavam novos sintomas. Primeiro, uma dificuldade em engolir, “como se tivesse algo a inchar” na garganta. Depois, as dificuldades em respirar. “Era um cansaço tão grande que fazia esforço até para respirar.”

Sem quaisquer alergias ou sensibilidade a medicamentos, admite ser uma pessoa “super saudável” a quem “saiu na rifa ter quatro efeitos secundários”. O cansaço acompanhou-a durante todo o dia e a noite, graças à dor no braço — “muito mais dolorosa do que é normal sentir nas outras vacinas” —, foi atribulada.

No dia seguinte, mais um sintoma: uma “dor de cabeça tremenda”. Ao longo do dia, os sintomas foram esmorecendo. No domingo, já tudo tinha regressado ao normal.

O relato de Jéssica é, apesar de inusitado, relativamente mais leve do que o que tem sido relatado por muitos profissionais de saúde nos últimos dias. Alguns têm mesmo ficado incapacitados, devido às febres altas, fadiga e dores musculares — sobretudo aquando a toma da segunda dose.

Apesar da experiência atribulada, há ainda uma segunda dose para enfrentar e Jéssica admite que não estará tão calma como na primeira vez. “Agora vou com um pouco de receio, mas está tudo bem.”

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