Saúde

Existem cada mais casos de demência com comportamentos agressivos em Portugal

É uma das conclusões de um novo estudo,"inédito em Portugal”, que analisa 6.586 hospitalizações com diagnóstico desta patologia.
Homens são mais afetados.

Os autores do mais recente estudo sobre demência em Portugal não têm dúvidas: existem cada vez mais casos diagnosticados desta patologia com alterações comportamentais. 

A investigação, realizada por um grupo de cientistas portugueses, publicada esta segunda-feira na revista internacional “Aging & Mental Health” descreve que num total de 6.586 hospitalizações registadas com diagnóstico de demência com alterações comportamentais, a taxa de crescimento em seis anos foi de 3,9 por cento.

A demência com agitação resulta em comportamentos mais agressivos e outras alterações comportamentais, não normais. O diagnóstico em análise inclui situações de atividade motora excessiva e agressão verbal e física. Estas situações podem representar riscos de segurança quer para os próprios doentes, quer para os seus cuidadores.

Neste sentido, os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) e da Universidade de Coimbra alertam para a importância de se identificar e tratar precocemente as perturbações comportamentais como a agitação na demência, durante a hospitalização, o que “frequentemente não ocorre”, referem.

Uma das investigadoras, a psiquiatra e professora da FMUP Lia Fernandes refere-se à doença como “um desafio global crescente associado ao envelhecimento da população”, os investigadores realçam a associação destas alterações comportamentais a resultados adversos para os doentes, como uma progressão mais rápida para quadros de demência grave, maior risco de institucionalização prematura e excesso de incapacidade, de morbilidade e de mortalidade”.

Os investigadores afirmam ainda que com este estudo, descrito como “inédito em Portugal” , confirma-se que a agitação nos doentes com demência prolonga a duração do internamento, “já que o grupo de pacientes com alterações comportamentais permaneceu mais tempo nos hospitais, comparativamente ao grupo sem registo de agitação”.

A pesquisa revela ainda que “o registo de episódios de demência com agitação é mais frequente em doentes do sexo masculino, de menor idade, com mais comorbilidades associadas e internados de urgência, sendo ainda mais propensos a serem transferidos para outra unidade de saúde após o internamento”.

“Desta forma, e com intervenções sobretudo não-farmacológicas, consegue tratar-se ou até prevenir estes episódios de agitação, evitando internamentos longos com consequências negativas para os doentes, nomeadamente com repercussões na sua capacidade física, cognitiva e no agravamento da fragilidade”, defende a psicóloga clínica e investigadora Ana Rita Ferreira do CINTESIS,  em declarações à Lusa aqui citada pela Rádio Renascença.

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