Saúde

Cérebros de doentes internados com Covid podem ter envelhecido até 20 anos

Conjugar verbos simples torna-se difícil para quem teve sintomas graves da doença, segundo este novo estudo.
Nova sequela.

Acaba de ser revelado um novo efeito secundário provocado pelo vírus da Covid-19. Um estudo publicado nestes primeiros dias de maio sugere que os doentes infetados que experienciaram sintomas mais graves da doença podem ficar com dificuldades de raciocínio “comparável ao envelhecimento de 20 anos”.

À medida que a pandemia se alastrou pelo mundo, tornou-se evidente que o coronavírus poderia não só causar problemas de saúde imediatos, mas também deixar algumas pessoas com sintomas debilitantes durante muito tempo. Uma condição conhecida como Covid-19 de longa duração.

De acordo com este estudo britânico, cerca de um terço dos pacientes que tiveram de ser hospitalizados, por terem sintomas graves causados pela SARS-CoV-2, sentiram que a recuperação foi lenta, com poucas melhorias físicas e cognitivas. Agora, os investigadores revelaram que alguns pacientes ficaram com um declínio cognitivo persistente.

O estudo publicado na revista “eClinicalMedicine” relata como os investigadores examinaram os resultados dos testes cognitivos realizados por 46 pacientes, em média seis meses após a sua admissão no hospital de Addenbrooke em Cambridge entre março e julho de 2020. Deste grupo, 16 receberam ventilação mecânica.

Os testes cognitivos foram realizados através da plataforma Cognitron, desenvolvida por investigadores do Imperial College London. A equipa comparou os resultados com os de 460 pessoas que nunca tinham sido infetadas, combinadas de acordo com características como idade, sexo, educação e primeira língua.

Os resultados sugerem que as pessoas que foram hospitalizadas com Covid-19 tinham sequelas cognitivas particulares, incluindo uma velocidade de processamento mais lenta. “A mais notória é no raciocínio verbal, mesmo nas frases mais simples”, explica David Menon, professor na Universidade de Cambridge e autor sénior do estudo, aqui citado pelo “The Guardian”.

O estudo sugere que, embora as deficiências cognitivas fossem distintas, a magnitude da mudança foi, em média, equivalente ao declínio cognitivo visto como pessoas com idades compreendidas entre os 50 e os 70 anos.

Menon relacionou ainda que o grau de deficiência à gravidade da doença. “[A Covid-19] causa problemas com uma variedade de órgãos do corpo, incluindo o cérebro, a função cognitiva e a saúde psicológica”, revelou. “Quando vacinado, e já com doses de reforço, as manifestações são menos graves. Portanto, as sequelas serão menores”.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT