Saúde

Chegou o suplemento natural (e vegan) que promete acabar com a ressaca

Chama-se Myrkl e foi lançado esta segunda-feira, 4 de julho. É uma criação sueca e, por enquanto, ainda não está disponível em Portugal.
Calma, não é pretexto para abusar

Dois comprimidos, tomados pelo menos uma hora antes ou até 12 horas após a ingestão de bebidas alcoólicas. É tudo o que será necessário para evitar os efeitos nefastos da ressaca, ou pelo menos é o que garantem os criadores do Mrykl — que, lido, soletra “miracle”, milagre em inglês.

O suplemento criado pela sueca De Faire Medical chegou ao mercado esta segunda-feira, 4 de julho, e é o centro de todas as atenções. Tudo porque promete efeitos milagrosos, ao alegar que a sua ingestão pode reduzir para metade a concentração de álcool no sangue, trinta minutos após a toma da primeira bebida.

Na sua composição estão ingredientes autorizados e reconhecidos como seguros pelas autoridades europeias. Como o Myrkl não é considerado um medicamento, não há necessidade de ser submetido a aprovação das agências. Também por isso, a estreia no mercado se fez em simultâneo em onze países: Itália, Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Noruega, Suécia, Suíça e Reino Unido. Garantem que é um produto cem por cento vegan e natural.

Segundo os criadores do Mrkl, para que os comprimidos tenham uma eficácia máxima, devem ser tomados pelo menos uma hora antes de começar a beber. Os efeitos deverão fazer-se sentir durante as 12 horas seguintes, isto é, os compostos continuarão a reduzir o álcool durante pelo menos meio dia.

A ideia nasceu nos anos 90 e o primeiro grande estudo da De Faire Medical teve lugar há uma década. Os efeitos têm sido revelados em diversas conclusões publicadas, por exemplo, no “Nutrition and Metabolic Insights”, onde está o mais recente

O estudo envolveu 24 pessoas divididas em dois grupos. Um grupo tomou o placebo, o outro tomou duas cápsulas por dia durante uma semana. Cada um dos elementos acompanhou um pequeno-almoço com um copo de vodka. Nesse dia, cada voluntário foi sujeito a análises ao sangue e ao teste do alcoolímetro a cada 15 minutos durante a primeira hora e a cada hora durante as cinco horas que se seguiram.

“Uma semana de suplementação regular resultou num substancial baixa absorção de álcool pelo sangue e, por conseguinte, pelo metabolismo”, escrevem os investigadores nas conclusões. “O consumo do AB001 [nome de estudo do Myrkl] como suplemento nutricional poderá ajudar a prevenir danos ao fígado e a outros órgãos, que estejam associados ao consumo regular de álcool, e também a reduzir os negativos impactos médicos e económicos do consumo social de álcool no indivíduo e na sociedade.”

Como funciona o Mrykl?

De acordo com a De Faire Medical, as bactérias — que se fazem acompanhar do aminoácido L-Cisteína e de vitamina B12 — são ativadas nos intestinos. O que acontece normalmente é que o álcool é decomposto no fígado em acetaldeído, tido como o grande culpado pelos efeitos da ressaca. É neste processo que o Mrykl interfere.

Será a ação do Bacillus Coagulans e do Bacillus Subtilis, em conjunto com a L-Cisteína, que atuarão diretamente no álcool, decompondo-o em água e dióxido de carbono, isto antes de que o fígado trate de o decompor em acetaldeído e ácido acético, evitando assim os efeitos negativos do consumo.
Apesar de garantirem a eficácia do método, alertam que não será cem por cento eficaz, isto porque os efeitos da ressaca têm origem também noutros fatores como a desidratação, glicemia baixa ou o metanol.

Hakan Magnusson, CEO da Myrkl, alerta que o facto de o suplemento funcionar não deve ser visto como um livre-passe para beber em excesso e aponta para os limites definidos pelas autoridades de saúde dos diversos países.

“O objetivo do Myrkl é o de ajudar os consumidores moderados a acordarem nas melhores condições no dia seguinte”, assegura. “Esta é a primeira vez na história que um produto oferecido aos consumidores demonstra eficácia na rápida decomposição do álcool.”

Uma velha história

A ideia pode não ser tão peregrina quanto isso. Em 2006, Portugal tornou-se no terceiro mercado a dar as boas-vindas a um produto semelhante. Chamava-se KGB e era também anunciado como um suplemento natural — com uma história peculiar.

Segundo os fabricantes, a fórmula havia sido desenvolvida pelo KGB — a agência secreta soviética — para evitar que os seus espiões ficassem embriagados. Também este produto garantia ser feito de “aminoácidos, vitaminas e antioxidantes” para evitar a decomposição do álcool em acetaldeído. À época, os comprimidos eram vendidos a 5,95€ por três doses.
Desta feita, a venda do Myrkl não acontecerá nas farmácias. Toda a venda será feita online, através do site da marca, que por enquanto ainda não envia para Portugal. Uma caixa de 30 comprimidos tem um custo de 34,80 euros, o suficiente para 15 utilizações.

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