Saúde

Cientistas do Porto descobrem como travar progressão de cancro do pâncreas

Em Portugal, surgem anualmente cerca de 1800 casos deste tipo de cancro, o segundo mais mortífero, dizem as estatísticas.
Estudo foi desenvolvido no Porto.

Um novo método que trava a comunicação entre células estaminais cancerígenas e outras células do tumor pancreático foi desvendado por um grupo de cientistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto. O estudo, publicado na revista “Gut”, revela duas novas possibilidades para o tratamento do cancro do pâncreas.

O Instituto da Universidade do Porto afirma que, segundo este novo estudo, impedindo a comunicação entre células, “o tumor não cresce”. “Apesar de serem em muito menos número, são as células estaminais as que mais comunicam com as outras células. São elas, aliás, que comandam e transmitem as directrizes para o tumor poder sobreviver”, esclarecem os investigadores.

O cancro no pâncreas é uma doença que afeta sobretudo idosos com mais de 70 anos, mas tem vindo a verificar-se um aumento significativo em idades mais jovens, entre os 40 e 50 e também na faixa dos 30 anos. Em Portugal, surgem anualmente cerca de 1800 casos de cancro do pâncreas. As estimativas apontam para que este seja o segundo tipo de cancro mais mortífero.

Os investigadores poderá verificar que no interior dos tumores pancreáticos existe a proteína Agrin. Quando “enviada às outras células, impulsiona o tumor a crescer e a vencer as adversidades, nomeadamente, a quimioterapia”, explicam.

A equipa, liderada por Sónia Melo, percebeu que “quando se corta essa comunicação, impedimos o crescimento do tumor.” Com recurso a moléculas que inibem a comunicação entre células, os investigadores conseguiram “travar a progressão do tumor”. “Utilizámos anticorpos para bloquear a proteína Agrin e verificámos igualmente uma desaceleração no crescimento do tumor”, acrescenta a investigadora.

Depois de realizado o estudo, surgem dois caminhos de investigação: “utilização de drogas para impedir a comunicação entre células cancerígenas” e “anticorpos para bloquear a proteína Agrin”. Os dois métodos “apresentam potencial como soluções terapêuticas a aplicar pelos clínicos aos doentes com cancro do pâncreas com o objectivo de travar a progressão do tumor e minimizar a resistência terapêutica”, afirma Sónia Melo.

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