ROCKWATTLET'S ROCK

Saúde

Cientistas em alerta após ter sido detetado um vírus que passa de gatos para humanos

A infeção começa como uma pequena lesão avermelhada no local da inoculação e evolui gradualmente para nódulos ou úlceras.

Um fungo capaz de provocar infeções cutâneas em humanos e animais levou a um alerta sanitário na América do Sul, após ter sido identificado num país onde, anteriormente, não existia. Investigadores confirmaram a presença do Sporothrix brasiliensis no Uruguai, o que indica que o vírus poderá estar a espalhar-se de forma silenciosa para novos territórios.

A doença, conhecida como esporotricose, é uma micose subcutânea causada por fungos do género Sporothrix, sendo o Sporothrix brasiliensis considerado uma das espécies mais virulentas. A transmissão ocorre principalmente através de gatos infetados, que podem transportar grandes quantidades da patologia em feridas abertas.

Arranhões, mordeduras ou contacto com secreções contaminadas são suficientes para que o microrganismo penetre na pele humana e inicie a infeção. Em alguns casos, formam-se lesões nodulares que podem espalhar-se ao longo dos vasos linfáticos.

Os casos foram detetados, em março, em gatos e pessoas nas regiões de Maldonado e Rocha, no sudeste do país. Acredita-se que, neste momento, a doença já tenha atingido o nível de transmissão local, visto que não havia ligação direta entre os animais infetados, ou seja, destes passou para humanos, que a transmitiram entre si.

Um dos fatores que favorece a disseminação é o comportamento dos felinos, sobretudo os gatos de rua, que percorrem grandes áreas e mantêm contacto frequente com outros animais. Além disso, o fungo apresenta uma característica denominada dimorfismo térmico, que lhe permite existir sob a forma de bolor no ambiente e transformar-se em levedura dentro do organismo hospedeiro, aumentando significativamente a sua capacidade de sobrevivência, adaptação e infeção.

Nos seres humanos, a infeção costuma iniciar-se como uma pequena lesão avermelhada no local da inoculação, que evolui gradualmente para nódulos ou úlceras. Em indivíduos com o sistema imunitário comprometido, a doença pode espalhar-se para articulações, pulmões ou outros órgãos, embora tal seja mais raro.

Nos gatos, os sinais clínicos incluem feridas persistentes, crostas, secreções, espirros e perda de pelo, sobretudo na região da cabeça, patas e cauda. Apesar de raramente assumir formas graves em pessoas saudáveis, a doença exige diagnóstico adequado, geralmente confirmado através de análises.

O tratamento passa pelo uso prolongado de antifúngicos, como o itraconazol, podendo durar várias semanas ou meses, dependendo da gravidade e da resposta do doente. A identificação precoce e o tratamento dos animais infetados são considerados medidas essenciais para controlar a propagação do vírus e reduzir o risco de transmissão à população humana.

ARTIGOS RECOMENDADOS