Saúde

Consumir canábis pode ajudar a reduzir o colesterol, a pressão arterial e a depressão

Em Portugal, o uso para fins medicinais de substâncias à base da planta só é permitido em casos específicos.

O consumo de canábis está em franco crescimento um por pouco por todo o mundo. Além do uso recreativo, os extratos desta planta são utilizados em alguns tratamentos, sobretudo nos relacionados com a dor crónica. E agora há um novo motivo que poderá levar ao aprofundar deste fenómeno: os consumidores de marijuana têm menos problemas de colesterol, pressão arterial e depressão.

Um estudo espanhol que pretendia determinar se o uso de canábis constitui um problema de saúde pública — a principal razão pela qual o uso desta planta é proibido — concluiu que este pode benéfico.

A pesquisa analisou os dados recolhidos através de um inquérito a 419 utilizadores regulares na comunidade autónoma da Catalunha, com idades compreendidas entre os 15 e 64 anos e publicada na revista “Cannabis and Cannabinoid Research” no passado dia 13 de janeiro.

Os investigadores compararam os resultados dos questionários utilizando um sistema semelhante ao do Inquérito Nacional de Saúde, que é realizado de cinco em cinco anos e que inclui os efeitos do tabaco e do álcool sobre a população.

A análise dos dados recolhidos permite concluir que os consumidores de canábis registam melhores indicadores em temos de índice de massa corporal (67 por cento em comparação com 42 por cento), problemas de colesterol/pressão sanguínea (7,4 em comparação com 18,3), presença de doenças crónicas (21,2 em comparação com 55,1) e limitações físicas na sua atividade diária (14,4 em comparação com 21,3). Os autores consideram que deve ser tido em conta como mais uma prova ao avaliar uma possível legalização.

“Embora estas diferenças não possam ser atribuídas apenas ao consumo de canábis, sugere que os consumidores regulares desta droga não experimentam efeitos nocivos relevantes em termos de indicadores-chave de saúde em geral”, disseram os investigadores envolvidos ao jornal espanhol “Público”.

Apesar dos resultados surpreendentes, é bom recordar que o estudo foi financiado pela Fundación Canna, uma iniciativa da empresa Canna que está ligada à comercialização de produtos feitos com a planta. Por isso, as conclusões podem, de alguma forma, ser-lhe favoráveis.

Em Portugal, o uso para fins medicinais de substâncias à base da planta de canábis é permitido em casos onde os tratamentos convencionais não surtiram efeito, como em casos de “dor crónica (associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso); espasticidade associada à esclerose múltipla ou a lesões da espinal medula; náuseas e vómitos (resultantes da quimioterapia, radioterapia e terapia combinada de HIV e medicação para a hepatite C) e estimulação do apetite nos cuidados paliativos de doentes sujeitos a tratamentos oncológicos ou com SIDA”.

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