Saúde

Covid-19 afeta o paladar dos miúdos: “Sabe tudo a cocó e ovos podres”

A condição é cada vez mais frequente, sobretudo após o aumento de casos nas escolas. Saiba como deve atuar se o seu filho estiver assim.
Pode não ser apenas uma birra.

Dificuldades respiratórias, tosse e cansaço são as sequelas mais comuns da Covid-19. No entanto, existem cada vez mais casos de parosmia, que distorce o olfato e o paladar para cheiros e sabores mais desagradáveis. Com o aumento do número de infeções nas escolas, esta condição está-se a tornar bastante comum entre os miúdos. No Reino Unido, por exemplo, o caso está a ser alvo de vários estudos.

O britânico Malisse Kafi tem 11 anos, e em setembro de 2021 ficou infetado com o coronavírus. Após ter recuperado, afirma não conseguir comer nada, uma vez que a comida “sabe a cocó e esgoto” e a água a “ovos podres”. Esta situação chamou a atenção dos cientistas da Universidade de East Anglia (UEA) e o miúdo transformou-se mesmo num caso de estudo, que foi publicado esta terça-feira, 18 de janeiro.

A Fifth Senses — uma instituição que ajuda pessoas com problemas de paladar e olfato e que também participou no estudo — explica que a condição, chamada parosmia, afeta “cada vez mais miúdos”.

“A parosmia é considerada a condição de ter menos recetores de olfato a trabalhar, o que leva a ser apenas capaz de apanhar alguns dos componentes de uma mistura de cheiros”, afirma Carl Philpott, professora na UEA. Segundo o docente, mais de 250 mil adultos lidaram com esta sequela da Covid-19. No entanto, com o aumento do número de infeções entre os mais pequenos, a condição também tem sido verificado em vários miúdos.

Muitos pais poderão achar que é apenas uma fita dos filhos quando não têm vontade de comer os legumes, mas o caso de Malisse foi bastante preocupante.

“Já tinha perdido cerca de dois quilos e chegou ao limite de ter de ser levado de urgência para o hospital, desidratado e a arrastar as palavras”, recorda-se Dawn Kafi, a mãe. O rapaz de 11 anos estava tão subnutrido que teve até de ser alimentado por uma sonda.

Carl Philpott deixou alguns conselhos para os pais cujos filhos estejam a lidar com esta condição. A regra mais importante é que ouçam os miúdos e acreditem neles, ao mesmo tempo que apontam os alimentos que lhes sabem bem, e os que sabem mal.

“Os pais e os profissionais de saúde devem encorajar os miúdos a experimentar diferentes alimentos com sabores menos fortes, como massas, bananas ou queijos suaves – para ver com o que podem lidar ou desfrutar”, diz o professor.

Uma vez que quase tudo sabe mal, a melhor forma de obterem os nutrientes necessários é ingerindo batidos de proteína e vitaminas sem sabor.

A parosmia também afeta o olfato, sendo assim aconselhável ir treinando este sentido após a infeção por Covid-19. “O treino do olfato envolve cheirar pelo menos quatro odores diferentes – por exemplo, eucalipto, limão, rosa, canela, chocolate, café ou lavanda – duas vezes por dia todos os dias durante vários meses”, concluem os investigadores..

Vários meses após ter sido diagnosticado com o vírus, Malisse Kafi já se encontra melhor e com uma maior capacidade de ingerir alimentos. No entanto, ainda sente frio e fraqueza muscular. “Ele ainda está muito magro e perdeu bastante músculo. Isto causou-lhe vários problemas de saúde, incluindo problemas intestinais e dores nas pernas”, diz a mãe.

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