Saúde

Covid-19: perda de olfato e paladar pode prolongar-se até cinco meses

É o que dizem os primeiros resultados de um estudo que envolveu mais de 800 pessoas.
É mais comum do que se julga.

Não foram os primeiros sintomas confirmados pelas autoridades de saúde, mas poucos meses depois de a Covid-19 ser declarada uma pandemia, a perda de olfato e paladar juntaram-se à lista oficial. Um estudo preliminar divulgado esta terça-feira, 23 de fevereiro, mostra que estes dois sintomas podem durar até cinco meses após a infeção.

Para chegar a esta conclusão, investigadores da Universidade do Quebec em Trois-Rivieres, no Canadá, tiveram a participação de 813 profissionais de saúde que testaram positivo para o novo coronavírus. Como explica a “CNN”, cada uma respondeu a um questionário no qual classificava o olfato e paladar de zero a dez. 

Durante a infecção inicial, mais de 70 por cento dos participantes da pesquisa relataram ter perdido o olfato e 65 por cento o paladar, segundo os resultados preliminares divulgados pela Academia Americana de Neurologia.

Portanto, um total de 580 pessoas perderam o olfato durante a doença inicial. Desse grupo, 297 participantes (51 por cento) disseram que ainda não recuperaram o olfato cinco meses depois, enquanto 134 participantes (17 por cento) tiveram perda persistente do olfato quando avaliados em casa. 

Em média, as pessoas classificaram o seu sentido olfato com sete em dez após a doença, em comparação com nove em dez antes de estarem doentes. 

Os investigadores avançaram, também, que 527 participantes perderam o sentido do paladar no início da doença. Deste grupo, 200 pessoas (38 por cento) garantiram que ainda não tinham recuperado o sentido cinco meses depois. Em média, as pessoas classificaram o sentido de paladar com um oito em dez depois da infeção, em comparação com um nove em dez antes de serem infetados.

“Os nossos resultados demonstram que um sentido do olfato e do paladar deteriorado pode persistir num número de pessoas com covid-19”, disse Johannes Frasnelli, da Universidade do Quebec, em comunicado.

“Isso enfatiza a importância de acompanhar as pessoas que foram infetadas e precisam de mais pesquisas para descobrir a extensão dos problemas neurológicos associados à Covid-19”, continuou.

Os resultados finais do estudo serão apresentados na reunião anual da American Academy of Neurology, que vai acontecer em abril deste ano.

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