Saúde

Covid-19: podemos chegar aos 60 mil casos diários, mas governo descarta recuo nas medidas

Ministra da Saúde fala em responsabilidade e na necessidade de os comportamentos individuais se adaptarem à evolução da pandemia.
Especialistas pedem recuo nas medidas.

Projeções do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) indicam que, no final de maio, Portugal pode atingir os 60 mil casos diários de Covid-19. Esta quarta-feira, 18 de maio, a previsão foi mencionada pela ministra da Saúde Marta Temido que, para já, descarta o regresso às máscaras e testes gratuitos nas farmácias. O País encontra-se numa “fase de autorresponsabilização” em que os comportamentos individuais precisam de se adaptar à evolução da pandemia, sublinhou Temido. Admitiu, contudo, que esta pode vir a condicionar a atividade hospitalar programada.

“Poderá fazer [sentido], designadamente numa outra altura, em termos de sazonalidade da infeção. Neste momento, aquilo que estamos a apostar é na prescrição através da linha de Saúde24. Têm existido constrangimentos, percebo que isso dificulte a expectativa das pessoas no acesso à linha, mas recordo que temos introduzido melhorias”, defendeu a ministra da Saúde, citada pelo “Público”.

Apesar de sublinhar que todas as decisões relacionadas com a pandemia foram “sempre tecncicamente fundamentadas”, Temido também reconheceu que têm “uma componente de leitura política da realidade e daquilo que são as expectativas sociais e a proporcionalidade das medidas para fazer face a cada momento da evolução da Covid-19”.

Acrescentou: “a própria população portuguesa mostrava saturação das restrições e nós sabemos que podemos ter que guardar medidas para momentos mais difíceis. A questão é se este momento é um momento que se tornará mais difícil ou se o conseguiremos vencer”.

A ministra da Saúde referiu ainda que o contributo da nova sublinhagem da variante Ómicron para o aumento de casos não está completamente definido, mas que as estimativas do INSA apontam para que atinja uma prevalência de 80 por cento no próximo domingo, 22 de maio.

Marta Temido falou aos jornalistas à margem de uma cerimónia de aniversário da Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA), que teve lugar no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Segundo a “RTP”, vários especialistas criticam o Governo por não recuar em relação à obrigatoriedade do uso de máscaras nem voltar a comparticipar os testes à Covid-19. Defendem, igualmente, a antecipação e alargamento da segunda dose de reforço da vacina, de modo a travar contágios e a mortalidade, e que a ministra não está a ver a verdadeira realidade da situação.

Leia sobre a nova linhagem da Ómicron, mais transmissível e preocupante de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, que já é dominante em Portugal — o país da União Europeia com mais casos diários. Também em Portugal, as infeções de Covid-19 nos mais velhos atingem os níveis mais elevados de sempre, o que levou a uma antecipação da administração dose de reforço. Saiba ainda como os cientistas finlandeses estão a treinar cães farejadores para detetar pessoas infetadas com Covid-19.

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