Saúde

Felicidade durante a infância pode ajudar a prevenir demência na idade adulta

Jovens com sintomas depressivos elevados têm um risco 73 por cento mais elevado de desenvolver doenças cognitivas na velhice.
Felicidade melhora a saúde cognitiva.

Já tinha sido reportado que uma má saúde cardiovascular podia danificar o fluxo sanguíneo para o cérebro e, em consequência, aumentar o risco de demência. No entanto, um novo estudo mostra agora que também há uma relação entre a saúde mental e a cognição — quanto mais felizes formos enquanto jovens adultos, menor será o risco de desenvolver demência numa idade mais avançada.

Este estudo, publicado no Journal of Alzheimer’s Disease a 30 de Setembro deste ano, apoia a relação entre a depressão e a demência, e mostra que quem tem depressão no início da idade adulta terá uma menor cognição 10 anos mais tarde e leva ainda ao declínio cognitivo na velhice.

Os investigadores analisaram cerca de 15 mil participantes, entre os 20 e 89 anos, utilizando métodos estatísticos inovadores que preveem as trajetórias médias dos sintomas de depressão e descobriram que, em cerca de seis mil participantes mais velhos, as probabilidades de sofrerem de incapacidade cognitiva era 73 por cento mais elevadas para aqueles que tinham sofrido de depressão quando eram jovens adultos. A percentagem baixava para 43 por cento de probabilidade de défice cognitivo para aqueles que teriam sofrido de depressão mais tarde.

Foi ainda descoberta uma associação entre o excesso de hormonas de stress e a capacidade de fazer novas memórias, ou seja, sermos felizes quando somos jovens vai fazer bem ao nosso cérebro algumas décadas depois. 

A explicação para este facto pode ser dada com recurso à biologia. Quando uma criança, ou uma pessoa em geral, tem demasiadas hormonas de stress a correr pelo seu corpo, pode prejudicar a sua capacidade de criar novas memórias. Este é um factor-chave quando se trata de saúde cognitiva e demência mais tarde na vida. Também demonstrou que isto afeta mais as mulheres, com mais danos no cérebro principalmente quando têm demasiado stress nas suas vidas. 

Os participantes foram examinados para a existência de depressão através da utilização de uma ferramenta chamada CESD-10, um questionário de 10 perguntas que avaliava os sintomas na semana anterior. Foram encontrados sintomas de depressão moderada a elevada em 13 por cento dos jovens adultos, 26 por cento dos adultos de meia-idade e ainda 34 por cento dos participantes mais velhos.

“Vários mecanismos explicam como a depressão pode aumentar o risco de demência”, disse uma das autoras Willa Brenowitz, professora do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da UCSF e do Instituto Weill para as Neurociências. “A hiperatividade do sistema central de resposta ao stress aumenta a produção das hormonas de stress, levando a danos no hipocampo, a parte do cérebro essencial para a formação, organização e armazenamento de novas memórias”.

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