Saúde

Cuidado. Estes são os medicamentos e cosméticos retirados do mercado pelo Infarmed este ano

A lista da NiT inclui protetores solares, loções corporais e produtos de beleza que são muito populares no País.

Desde o início do ano, o Infarmed emitiu vários alertas relacionados com a suspensão, recolha ou retirada de medicamentos, protetores solares e cremes do mercado português. Os comunicados podem ter escapado a alguns, mas convém verificar os produtos que tem em casa.

As decisões da entidade podem abranger um medicamento completo ou apenas determinados lotes e surgem por motivos que vão desde problemas detetados no fabrico até desvios de qualidade ou questões relacionadas com a segurança.

Um dos casos mais recentes envolve o Salofalk 3000 mg, um medicamento à base de messalazina utilizado no tratamento de doenças inflamatórias intestinais. No início de setembro, o Infarmed determinou a suspensão da comercialização de um lote depois de ter sido identificado um desvio relacionado com a serialização. A autoridade esclareceu que os doentes que estejam a utilizar esse lote não devem interromper o tratamento sem indicação médica.

Já no início de 2026 os alertas foram para o popular antidepressivo Sertralina toLife. A decisão foi tomada após terem sido detetados elevados valores de uma impureza “acima do limite aceitável”, lia-se numa nota divulgada no site.

As decisões do Infarmed não significam, por si só, que todos os doentes que tomam determinado medicamento tenham de interromper o tratamento. Em vários alertas, a entidade identifica lotes específicos e indica às farmácias, hospitais e restantes entidades quais os produtos que devem ser retirados. A recomendação passa sempre por consultar a informação oficial e, quando indicado, falar com o médico ou farmacêutico antes de fazer qualquer alteração ao tratamento.

Para o ajudar, a NiT reuniu os artigos que foram retirados do mercado pelo Infarmed desde o início do ano e que, provavelmente, tem em casa. Veja a nossa lista.

Salofalk, Messalazina

O produto mais recente a ser retirado do mercado é o Salofalk, Messalazina 3000 mg Granulado gastrorresistente de libertação prolongada, comercializado em embalagens de 60 saquetas. O medicamento é utilizado no tratamento de doenças inflamatórias do intestino.

De acordo com a circular publicada pelo Infarmed, está em causa o lote L25428A, com validade até novembro de 2029. A decisão está relacionada com um problema identificado no sistema de serialização. A autoridade explica que foi “detetado um desvio relacionado com a serialização deste lote”.

O Salofalk tem como substância ativa a mesalazina, um anti-inflamatório utilizado no tratamento de doenças inflamatórias intestinais, incluindo a colite ulcerosa. O medicamento pertence ao grupo dos aminosalicilatos e atua na mucosa do intestino, onde reduz a inflamação.

Protetor solar Perfect Skin 50 FPS

A 13 de julho, este produto foi recolhido do mercado depois de terem sido identificadas várias irregularidades relacionadas com a proteção anunciada e a rotulagem do produto. A decisão surgiu na sequência de uma ação de fiscalização ao mercado nacional, durante a qual o Infarmed concluiu que o produto foi colocado à venda sem que estivessem assegurados todos os requisitos legais em vigor.

Entre as principais inconformidades detetadas estão discrepâncias entre o valor do Fator de Proteção Solar (SPF) obtido em testes laboratoriais e o indicado na embalagem, bem como a ausência de fundamentação relativamente à proteção contra os raios UVA.

A autoridade identificou ainda uma alegação considerada enganosa na rotulagem. O protetor solar apresentava a indicação de que “atua 100 por cento contra os raios solares”, uma afirmação que, segundo o Infarmed, não respeita os critérios europeus de veracidade, honestidade e de tomada de decisão informada por parte dos consumidores.

Os produtos da FBeauty

A 5 de junho, a entidade anunciou que iria retirar mais de 50 produtos da marca FBeauty de Portugal por incumprimento das normas legais em vigor. Durante a inspeção, oram identificadas várias irregularidades relacionadas com as exigências previstas na legislação europeia e nacional aplicável ao setor dos cosméticos. Segundo o Infarmed, os produtos não respeitavam um conjunto de obrigações fundamentais para garantir a sua segurança e conformidade.

Entre as falhas detetadas estão a ausência de evidências de cumprimento das boas práticas de fabrico, a inexistência de avaliações de segurança adequadas, lacunas na documentação obrigatória dos produtos e problemas relacionados com a respetiva rotulagem.

Foram retirados artigos como acetona, cleaners de unhas, removedores de pestanas, cremes, e muito mais. A lista completa, que inclui 53 produtos, pode ser vista online.

Calmidine

A 12 de junho, a entidade ordenou a suspensão imediata da coemrcialização do Calmidine, utilizado para aliviar queimaduras superficiais, escaldões e irritações da pele. Após uma ação de fiscalização e análise da informação disponibilizada pelo fabricante, o organismo concluiu que o produto estava a ser comercializado de forma incorreta como cosmético.

Segundo o Infarmed, o Calmidine, produzido pela empresa alemã MedNet GmbH, “não deve ser qualificado como cosmético”, uma vez que não cumpre os requisitos definidos pela legislação europeia aplicável a este tipo de produtos.

Aciclovir Labesfal 50 mg/g e Aciclovir Livixon 50 mg/g

A 3 de junho, a Generis Farmacêutica procedeu à recolha voluntária de vários lotes de cremes com aciclovir, depois de ter sido detetada uma alteração na consistência do produto que pode afetar a forma como é aplicado. A situação foi comunicada ao Infarmed, que determinou a suspensão imediata da comercialização dos lotes identificados.

Em causa estavam o Aciclovir Labesfal 50 mg/g Creme, em bisnagas de dois e dez gramas, e o Aciclovir Livixon 50 mg/g Creme, em bisnaga de 10 gramas. Os lotes abrangidos incluem os códigos E1743, F1257 e E1744, com prazos de validade entre fevereiro de 2028 e setembro de 2028.

O aciclovir é um medicamento antiviral de aplicação cutânea utilizado no tratamento de infeções provocadas pelo vírus herpes simplex, sendo mais comummente usado em casos de herpes labial. Atua ao nível da pele, ajudando a travar a multiplicação do vírus e contribuindo para a redução da duração das lesões, bem como para o alívio de sintomas como ardor, dor e desconforto local.

Segundo a informação divulgada online, a decisão de recolha surge na sequência de uma alteração na consistência do creme, o que pode comprometer a sua correta aplicação.

Protetores solares Fresh Baby Sunscreen High SPF 50 e Organic Babycare Baby & Kids Suncream 50

A 15 de maio, o Infarmed deixou uma recomendação bem clara aos portugueses: os protetores solares Fresh Baby Sunscreen High SPF 50, da Ringana, e o Organic Babycare Baby & Kids Suncream 50, da Alma, não deviam ser comprados nem usados.

Segundo a autoridade nacional do medicamento, alguns lotes destes protetores apresentaram falhas relacionadas com o nível real de proteção solar. O problema foi identificado na Áustria, onde os produtos acabaram retirados do mercado após análises laboratoriais terem revelado diferenças entre o fator de proteção solar indicado nas embalagens e os resultados obtidos nos testes.

Os lotes afetados são o 103362506241, no caso do protetor da Ringana, e o L9998, referente ao produto da Alma. A entidade explica que os artigos não cumprem os requisitos legais aplicáveis aos cosméticos, precisamente por existirem incongruências no FPS anunciado.

Glow X9 Biorevitalization Peel

O Glow X9 Biorevitalization Peel, da Dives Med, que promete rejuvenescer a pele e eliminar os defeitos cutâneos, foi retirado do mercado a 27 de março. O creme continha fenol, um ingrediente cuja utilização é proibida em produtos cosméticos.

Água Pura

A água micelar é um dos produtos mais usados na hora de retirar a maquilhagem e limpar o rosto — e são poucas as mulheres que não a incluem no kit de cosméticos. No entanto, se ainda tem em casa o Água Pura, da marca Evoluderm, é melhor deitá-lo fora.

Segundo o que o Infarmed avançou a 16 de março, o produto foi retirado do mercado por não cumprir os requisitos microbiológicos exigidos, “nomeadamente no que respeita à contagem de bactérias aeróbias e mesófilas”, explica a entidade. Em causa está o lote EC24F005.

A autoridade do medicamento também informou que foram detetadas bactérias como Achromobacter denitrificans e Acinetobacter ursingii. Esta presença pode representar um risco à saúde, especialmente para quem já tem o sistema imunitário mais fragilizado.

Boderm Crotamiton Plus Body Lotion

A 9 de março, a loção corporal Boderm Crotamiton Plus Body Lotion foi retirada do mercado após terem sido feitas denúncias que o creme era vendido como sendo um cosmético. No entanto, tinha também finalidades terapêuticas, relacionadas especificamente com o tratamento da sarna.

A entidade também avançou que a composição da loção corporal inclui uma substância com ação farmacológica chamada permetrina. O modo de utilização recomendado e a forma de apresentação também fizeram com que não pudesse ser classificado como cosmético.

“O produto foi indevidamente classificado e colocado no mercado como produto cosmético, considerando a finalidade prevista, nomeadamente reivindicando tratamento da escabiose, efeito antipruriginoso e contra a sarna, a que acresce a concentração de permetrina na sua composição, substância com reconhecida ação farmacológica, o modo de utilização recomendado e a forma de apresentação”, lia-se em comunicado.

Bilaxten

O colírio Bilaxten, usado para combater alergias, foi retirado a 26 de fevereiro. No produto foram detetadas “partículas visíveis na solução dos respetivos colírios”.

No site, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde avançou que a medida foi aplicada nos lotes com os números 313170B e 341790B, com validade a janeiro de 2027 e janeiro de 2028, respetivamente. 

Sertraline toLife

No início do ano, a 23 de janeiro, foi suspensa a venda de nove lotes do medicamento antidepressivo Sertralina toLife, um dos mais consumidos em Portugal. A decisão foi tomada após terem sido detetados elevados valores de uma impureza “acima do limite aceitável”, lia-se numa nota divulgada no site.

Os lotes abrangidos têm a identificação 24FN075A, 24GN087A, 24GN088A, 24GN089A, 24BN144A, 24BN145A, 24BN146A, 24FN080A, 24FN081A.

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