Saúde

Falta de vitamina D pode causar demência e outras doenças neurológicas

A população portuguesa sofre de carência deste macronutriente e esta nova descoberta é um motivo de preocupação adicional.
Um estudo australiano.

O défice de vitamina D aumenta o risco de demência e outras doenças neurodegenerativas. A descoberta foi feita por cientistas australianos e publicada no “The American Journal of Clinical Nutrition”, a 22 de abril deste ano. 

O estudo teve por base os dados de 295 mil pessoas que fazem parte do banco de dados UK Biobank. Os investigadores da Universidade do Sul da Austrália constataram que níveis baixos deste nutrientes estão associados a um risco 54 por cento superior de desenvolver demência.

Durante a pesquisa realizaram uma análise genética dos indivíduos e avaliaram ligações causais entre a vitamina D e a demência e o AVC. Foram identificados níveis baixos desta vitamina em doentes com volumes cerebrais menores e os investigadores concluíram que não há ligação direta com o risco de AVC, apenas com a demência.

“Nesta população do Reino Unido, constatámos que até 17 por cento dos casos de demência poderiam ter sido evitados aumentando os níveis de vitamina D”, afirma a principal investigadora do estudo Elina Hyppönen, em comunicado.

Esta doença neurológica caracteriza-se por alterações cognitivas que podem estar associadas a perda de memória, alterações da linguagem e desorientação no tempo ou no espaço. Para a maioria não existe tratamento e também não há uma forma definitiva de prevenir a demência.

A Organização Mundial de Saúde estima que existam 47,5 milhões de pessoas com demência em todo o mundo, número que pode chegar os 75,6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050, para 135,5 milhões. A doença de Alzheimer representa cerca de 60 a 70 por cento de todos os casos de demência.

O défice de vitamina D na população portuguesa

Durante anos a comunidade médica tentou esclarecer esta questão: como é que os portugueses, que vivem num país, normalmente, solarengo (a exposição solar é uma das formas de obter vitamina D) , sofre de baixos níveis deste macronutriente? Os números revelam que cerca de 60 por cento da população portuguesa apresenta níveis de vitamina D em circulação muito baixos, quando comparado com cerca de 20 por cento da população finlandesa, por exemplo, para a mesma época do ano.

O estudo da VITACOV publicado em meados de 2021 validou que existe uma prevalência de algumas alterações do genoma, quatro vezes superior à média Europeia, que levam a uma predisposição genética para défice de vitamina D nos portugueses.

Os resultados da pesquisa foram obtidos através da comparação dos dados genéticos obtidos pelo projeto para 517 pessoas com os dados existentes na base de dados de um dos parceiros do estudo, a empresa HeartGenetics.

Segundo os investigadores “estes novos dados provam que não é correto supor que os países com mais exposição solar não apresentam problemas com deficiência de vitamina D, mostrando que a caracterização genética, a monitorização da vitamina D e a adoção de outras recomendações ao nível populacional devem ser implementadas.”

Pode obter esta vitamina através da alimentação

Este macronutriente desempenha um papel essencial no “metabolismo do cálcio, responsável pela manutenção dos níveis de cálcio sérico, através da promoção da absorção de cálcio e fósforo a partir do intestino e da reabsorção óssea de cálcio”. A dose diária recomendada indicada da vitamina D para Portugal é de 5 microgramas por dia para adultos, 10 a partir dos 50 anos e 15 a partir dos 70 em indivíduos saudáveis. Nos indivíduos com idade superior aos 65 e com problemas de osteoporose a recomendação é de 20 microgramas por dia.

A forma mais popular de obter esta vitamina é através da exposição solar. Mas existem outras fontes naturais, e a alimentação é uma delas. Segundo a nutricionista Sónia Marcelo: “a sardinha, a cavala e o atum em lata (7,5 microgramas por 100 gramas) e o salmão (6,3 microgramas por 100 gramas) estão entre os peixes com um maior nível desta vitamina”. A gema de ovo (0,5) e os produtos lácteos (1 a 2,5 por 100 mililitros) também são outros dos alimentos destacados pela nutricionista, bem como o óleo de fígado de bacalhau (20 microgramas por colher de sopa), os cogumelos frescos (2,5 microgramas por 100 gramas) e a proteína de soja.

Carregue na galeria para conhecer algumas receitas em que os peixes que são boas fontes de vitamina D são protagonistas.

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