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Saúde

Depois do Nipah, há mais um vírus mortal que está a levantar alertas a nível mundial

Febre, vómitos, dores de cabeça, fadiga e problemas neurológicos são alguns dos sintomas do Pteropine orthoreovirus.

Depois da preocupação gerada pelo Nipah (que a 13 de janeiro levou a Organização Mundial da Saúde a deixar um alerta devido ao seu potencial de causar uma epidemia a partir da Índia), agora é o Bangladesh que está a preocupar a comunidade científica. A 1 de fevereiro foi publicado um novo estudo, onde vários cientistas abordam o surgimento do Pteropine orthoreovirus, um agente patogénico transmitido por morcegos e que já levou a uma morte.

A preocupação com este vírus começou entre dezembro de 2022 e março de 2023, quando cinco pessoas deram entradas em hospitais naquele país, apresentando sintomas como febre, vómitos, dores de cabeça, fadiga e problemas neurológicos. Todos os pacientes tinham comido seiva crua de tamareira-doce, um líquido açucarado igualmente consumido por morcegos, animais conhecidos por transmitir o Nipah. No entanto, todos testaram negativo para essa doença.

Tiveram alta hospitalar ao fim de algumas semanas, mas três queixaram-se de cansaço persistente, desorientação e dificuldades respiratórias e de locomoção. Um deles acabou por morrer em 2024 após um agravamento do estado de saúde.

O estudo, agora publicado na revista “Emerging Infectious Diseases”, revela que os pacientes no Bangladesh estavam, na verdade, infetados com Pteropine orthoreovirus (PRV), vírus que já tinha sido registado em países vizinhos, onde as infeções tinham sido, em geral, mais ligeiras. No entanto, o mesmo não se verificou nestes novos casos documentados.

“Os cinco pacientes apresentaram sintomas respiratórios e neurológicos graves, enquanto as infeções por PRV na Malásia, Indonésia e Vietname estiveram associadas a doença respiratória mais ligeira”, escreveram os especialistas.

Os investigadores suspeitam que o vírus possa ter sofrido uma reorganização genética, o que levou a alterações na transmissibilidade e, consequentemente, ao aumento dos riscos. “Os nossos resultados mostram que o risco associado ao consumo de seiva crua de tamareira-doce vai além do vírus Nipah”, afirma Nischay Mishra, um dos autores da pesquisa.

“Estamos agora a trabalhar para compreender os mecanismos de transmissão dos morcegos para os humanos e para os animais domésticos, bem como a ecologia mais ampla dos vírus emergentes transmitidos por morcegos nas comunidades ao longo da bacia do rio Padma”, acrescenta. O Pteropine orthoreovirus pode ser transmitido entre humanos através de fluidos corporais e gotículas respiratórias.

Aproveite e leia o artigo da NiT para conhecer o vírus Nipah, que também está a assustar a Índia.

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