Saúde

Dermatologista alerta: “não use os protetores solares do ano passado”

As fórmulas são muito instáveis e a eficácia perde-se ao longo do tempo. Ou seja, deixam de proteger contra os temidos escaldões.
Deve-se proteger o corpo todo.

Os paradigmas de beleza alteram-se longo dos tempos. No início do século XX não havia mulher que não quisesse ter a pele o mais pálida possível. O rosto e corpo tisnados pelo sol estavam associados ao trabalho no campo e, portanto, a uma classe mais baixa.

Atualmente é o oposto — a pele quer-se dourada. A preferência pelo tom alvo deu lugar ao bronzeado e ao ritual de passar horas ao sol, muitas vezes sem proteção solar. Esta exposição despreocupada tem consequências imediatas para muitos, os famosos escaldões. Estas queimaduras solares, sobretudo se forem recorrentes, podem desencadear doenças dermatológicas graves, como o cancro de pele.

Nem toda a gente reage da mesma forma aos raios ultravioleta — existem vários níveis de tolerância à exposição solar. Porém, todos devem aplicar protetor solar para evitar queimaduras e prevenir o envelhecimento precoce da epiderme.

Como escolher o protetor solar

A principal preocupação a ter, segundo o dermatologista Luís Uva, é optar por produtos de elevada proteção e de amplo espetro. Para isso, há que saber ler os rótulos dos protetores solares e conhecer o significado das várias siglas que podem referir.

Existem dois tipos de raios ultravioleta: os UVA e os UVB, começa por explicar o especialista em dermatologia, destacando que estas são duas das abreviaturas mais comuns nas embalagens destes cremes e loções. Enquanto os UVB são os principais responsáveis pelo aparecimento de queimaduras solares, os UVA estão relacionados com o envelhecimento precoce da pele e com o aparecimento de cancro.

“O SPF [outra sigla habitual, acrónimo da expressão em inglês sun protection factor] é uma medida relacionada só com a proteção face aos UVB, os que provocam queimaduras. Quando os protetores também protegem contra os UVA, essa indicação está patente na embalagem. Uns mostram um círculo à volta da sigla UVA e outros colocam a indicação PA+. O PA+ diz-nos que tem uma proteção mínima contra os raios UVA, o PA+++ é a máxima que um produto pode dar.”

A informação relativa à validade dos produtos deve ser igualmente considerada. O também diretor clínico da Personal Derma explicou à NiT que todos os produtos de cosmética têm um tempo de vida. “No caso dos protetores solares, que têm filtros na sua composição, este período é ainda mais importante porque a sua eficácia vai começando a diminuir. Se usarmos um protetor solar fora da validade é muito provável que o nível de proteção não esteja de acordo com o que vem descrito na embalagem”, adianta.

Por isso, se tencionava usar os protetores do verão passado, não o faça. O médico explica que as fórmulas destes produtos são muito instáveis e alteram-se ao longo do tempo. Se não encontrar uma data gravada na embalagem, para saber qual o prazo de validade do protetor deve procurar o símbolo de um frasco aberto que inclui o número de meses que o produto é válido após a abertura. Normalmente, não mais de seis meses.

Os protetores solares podem ser químicos, minerais ou mistos. “Os primeiros dissipam os raios da nossa pele, enquanto as fórmulas minerais têm partículas que vão refletir os raios”. A grande diferença é que estes últimos são mais difíceis de aplicar, deixam um filme denso e branco na pele e demoram mais tempo a serem absorvidos. Muitos não gostam destas fórmulas mais pesadas, mas para o dermatologista são as mais eficazes e as que aconselha às suas pacientes.

Além destas considerações, deve ter em conta o seu tipo de pele. “Se a pele for seca deve ser mais hidratante. Se for oleosa deve ter a certeza que não é um produto comedogénico”, afirma o médico.

Cuidados a ter com estes produtos

No momento da aplicação, o médico lembra que deve ter atenção a todas as áreas expostas ao sol, incluindo o couro cabeludo, as orelhas e os pés. “São áreas sensíveis e muitas vezes esquecidas. Para o couro cabeludo podem ser usadas as fórmulas em bruma. São mais fáceis de aplicar e não interferem com os cabelos”, sugere.

Os protetores devem ser reaplicados de duas em duas horas, salvo exceções. “Na água ou em atividades que envolvam maior exposição solar e transpiração, a proteção deve ser reforçada mais cedo”. Mesmo que as embalagens garantam que as fórmulas são à prova de água, estas “saem na mesma”, afirma o dermatologista. Durante as horas de maior radiação solar, entre as 11 e as 16 horas, Luís Uva aconselha evitar a exposição ao sol.

O especialista em dermatologista alerta igualmente para o cuidado a ter na escolha do lugar onde guarda estes produtos. As fórmulas, quando expostas a altas temperaturas, podem alterar-se rapidamente e deixarem de ter eficazes.

Em caso de alergias solares, Luís Uva recomenda o recurso a protetores minerais e a suplementação oral. “Esta é em forma de comprimidos, que devem ser tomados todos os dias, de forma contínua, a partir da primavera”, recomenda.

Para que aplique mesmo (e várias vezes ao dia) o protetor solar certo, e para para o ajudar no momento de escolher, a NiT selecionou alguns produtos, de várias marcas, e indicados para cada tipo de pele — sensível, seca ou mista. À parte desta rotina, não se esqueça de evitar a exposição ao sol nas horas de maior radiação e de usar roupa, chapéu e outras formas de proteção.

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