Saúde

Descoberta revolucionária: diagnóstico de cancro da mama pode tornar-se menos doloroso

Um novo estudo revela que uma análise ao sangue pode detetar de forma eficaz e mais cedo a doença do que a mamografia.
Mais um passo importante.

Só quem já passou por isso sabe o quão desconfortável pode ser todo o processo de uma mamografia. No entanto, é um dos métodos mais tradicionais para detetar a presença de tumores malignos nesta zona do corpo. Uma nova descoberta pode vir a alterar este processo e ser um ponto de viragem para a saúde das mulheres. No Reino Unido, o exame de sangue chamado Trucheck foi utilizado, com sucesso, para detetar cancro num estado inicial.

O cancro da mama é o mais frequente entre as mulheres e uma das principais causas de morte por cancro no sexo feminino. No caso português, de acordo com dados do Serviço Nacional de Saúde, são detetados sete mil novos casos de cancro da mama todos os anos. 1800 mulheres morrem anualmente vítimas da doença.

No diagnóstico da doença é frequente o recurso à mamografia e esta nova investigação, publicada no jornal científico “Cancers” a 7 de julho, abre “portas para um novo procedimento, mais simples, eficaz e menos invasivo”. Os investigadores envolvidos afirmam que apenas cinco mililitros de sangue chegam para apurar a presença de células tumorais circulantes (CTC). Mesmo que em pequenas quantidades, a presença de CTC no sangue é um indicador preciso de um tumor nas suas fases mais iniciais.

Os investigadores recolheram amostras de sangue de 9632 mulheres saudáveis ​​e de outras 548 com cancro da mama. Desse total, 96 por cento dos casos positivos de estágio 2 foram identificados, bem como 100 por cento dos casos em estágio 3 ou estágio 4 — fases em que metáteses de tumores se espalham por outras partes do corpo e existem mais CTC no sangue.

Segundo o cirurgião do cancro da mama Kefah Mokbel, que esteve envolvido na investigação, aqui citado pelo “Daily Mail”, “este exame conduz a uma mudança de paradigma no rastreio do cancro da mama”. Ao contrário da mamografia, que é feita com recurso a radiação, este rastreio pode ser feito com o mínimo de recursos, e deteta 92 por cento dos cancros da mama — cerca de cinco por cento acima dos diagnósticos com o método tradicional. Para o estágio 1 dos cancros da mama, a precisão do teste de sangue foi de mais de 89 por cento, e, mesmo para o estágio 0, marcado por lesões pré-malignas que podem evoluir para doença, foram identificados 70 por cento.

O teste tem aprovação europeia para utilização em mulheres com mais de 40 anos, mas ainda está a ser submetido a estudos de validação no Reino Unido e nos Estados Unidos da América. A mesma tecnologia, desenvolvida pela empresa indiana Datar, foi validada para detetar com precisão o glioblastoma, um agressivo cancro cerebral.

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